G8 demonstra preocupação com preço do petróleo e pressões inflacionárias
da Folha Online
Os líderes do G8 (grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia) expressaram nesta terça-feira sua preocupação com o alto preço do petróleo e dos alimentos, e com as conseqüentes pressões inflacionárias que representam "um sério desafio" para a economia mundial.
Ao término de sua sessão em Hokkaido (norte do Japão), os representantes dos países mais ricos do mundo pediram às nações produtoras de petróleo e às consumidoras que dialoguem para diminuir o preço da commodity, segundo informou a agência local Kyodo.
Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá, Japão e Rússia destacaram que estão dispostos a aumentar seus "esforços" para combater a escalada do barril de petróleo, que chegou a ser negociado a um preço recorde de US$ 145, segundo um porta-voz da Presidência japonesa.
Indicaram que essa situação, unida aos altos preços dos alimentos e das matérias-primas, representam um "sério risco" para o crescimento mundial, mas precisaram que "não são pessimistas" sobre a situação econômica.
Rodada Doha
O grupo também se mostrou a favor de completar "de forma bem-sucedida" a Rodada de Doha para a liberalização do comércio, em uma reunião que será realizada no final deste mês em Genebra (Suíça). Segundo fontes japonesas, espera-se que sejam divulgados vários comunicados do G8 sobre a crise alimentícia, o desenvolvimento da África e o regime de não-proliferação nuclear.
Na reunião, o primeiro-ministro da Reino Unido, Gordon Brown, por sua vez, afirmou que os britânicos precisam cortar o desperdício de alimentos para ajudar no combate ao aumento do custo de vida.
"Se vamos baixar os preços dos alimentos, também devemos fazer mais para lidar com a demanda desnecessária, todos nós devemos fazer mais para cortar o desperdício de alimentos no Reino Unido que custa, em média, 8 libras (cerca de R$ 25) por semana, em cada casa", disse.
Durante o almoço, os países analisarão a mudança climática e tentarão aproximar as diferentes posições de Estados Unidos, Japão e das nações européias. Finalmente, a agenda das reuniões incluirá debates sobre questões políticas como a Coréia do Norte, Afeganistão, Zimbábue e o processo de paz no Oriente Médio.
Alimentos
A alta no preço dos alimentos foi o principal assunto debatido no primeiro dia da caúpula, ontem. Os biocombustíveis foram novamente tratados como peça-chave da crise, mas com ressalvas para o produto feito à base de cana.
Apesar dos esforços do governo brasileiro para convencer a comunidade internacional do contrário, os biocombustíveis continuam na lista dos vilões da alta nos preços mundiais de alimentos. Tanto o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, como o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-Moon, atribuíram parte da culpa pela inflação alimentar ao produto.
"Diversos fatores afetaram os preços, mas não há dúvida de que os biocombustíveis estão entre eles", disse Zoellick, que fez questão, no entanto, de diferenciar os combustíveis produzidos com cana-de-açúcar, como o álcool brasileiro, dos que são feitos com cereais e vegetais.
Documento divulgado pelo Banco Mundial na semana passada para embasar os debates da cúpula do G8 já mencionava o uso do óleo de cereais e vegetais para a produção de combustíveis como uma das causas da disparada de preços. Segundo dados do Banco Mundial, os preços dos grãos mais que dobraram desde 2006. Apenas neste ano, a alta acumulada é de 60%.
O ex-secretário de comércio dos Estados Unidos lembrou que cerca de três quartos do crescimento da produção de milho nos últimos três anos foi para a produção de álcool nos Estados Unidos.
Ontem, Bird e ONU pediram ao G8 "resultados, e não mais promessas", ressaltando que a crise pode levar 100 milhões de pessoas em todo o mundo para baixo da linha de pobreza. As entidades se referiram especialmente à difícil situação econômica vivida na África, que ocupou hoje os debates do primeiro dia da cúpula.
Ban Ki-Moon pediu ao G8 que não volte atrás nas promessas que fez em cúpulas anteriores, e advertiu que o desenvolvimento da África requereria ajudas no valor de ao menos US$ 62 bilhões para o combate às doenças infecciosas.
Com agências internacionais
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