G8 pede transparência e resiste a protecionismo
da Ansa, em Toyako (Japão)
Os líderes do G8 (grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia) pediram nesta terça-feira mais transparência dos mercados, preocupados com a alta do petróleo e dos alimentos, mas deixaram claro sua resistência às tensões protecionistas que surgem na economia global.
Eles qualificaram a globalização como um "elemento-chave para o crescimento da economia global e de economias fortes e florescentes, sustentadas em valores comuns de democracia, liberdade econômica e instituições confiáveis".
Segundo a declaração emitida pelo G8 na cidade japonesa de Toyako, os países mais poderosos do planeta sugerem a realização de um fórum com objetivo de melhorar a segurança energética.
"Mais transparência levará a um melhor funcionamento dos mercados energéticos e, assim, a um melhor equilíbrio entre a produção e a demanda, para o que é necessária uma melhor seleção e pronta provisão de dados sobre o mercado", diz o documento sobre economia aprovado hoje pelo G8.
Os líderes dos países mais industrializados enfatizaram "a importância de que os mercados energéticos enviem sinais sobre preços não distorcidos e que estejam livres de qualquer pressão política".
O G8 mencionou no documento sobre economia que os altos preços do petróleo e alimentos apresentam um "sério desafio" a um crescimento global estável, têm "sérias implicações para os mais vulneráveis e aumentam as pressões inflacionárias globais".
"Estamos determinados a tomar constantemente medidas apropriadas, de forma individual e coletiva, com o objetivo de garantir a estabilidade e o crescimento em nossas economias e em nível mundial".
O G8 também pediu maior produção e refino de petróleo no curto prazo, bem como esforços conjuntos para expandir os investimentos em extração e distribuição no médio prazo.
Os líderes dos países mais industrializados pediram estabilidade para o investimento nos países produtores de petróleo e maiores esforços para melhorar a eficiência e aumentar a diversificação energética.
Rodada Doha
Por outro lado, o G8 assegurou que resistirá "às pressões protecionistas que freiam o comércio internacional e os investimentos", ao passo que definiu como "essencial" para o crescimento econômico "uma conclusão positiva de um acordo ambicioso, equilibrado e abrangente na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio.
Nesse sentido, pediu "contribuições substanciais" ao acesso a mercados da agricultura e aos produtos industriais e um "resultado positivo e tangível" quanto a serviços.
Também solicitou que todos os países mantenham ou promovam regimes que recebam os investimentos estrangeiros e que garantam tanto tratamento não discriminatório para os mesmos como para a transferência de capitais.
Assim, avaliaram que as restrições aos investimentos deverão ser muito limitadas e se concentrar principalmente sobre preocupações relativas à segurança nacional, aderindo a princípios de transparência, previsibilidade e estabilidade.
Finalmente, limitaram-se a assinalar que as condições do mercado financeiro "melhoraram de alguma maneira nos últimos meses, ainda que persistam sérias tensões".
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