Críticas de Sarkozy à OMC podem prejudicar negociações de Doha
da France Presse, de Genebra
As críticas do presidente francês, Nicolas Sarkozy, contra a OMC (Organização Mundial de Comércio) estão preocupando os especialistas do comércio internacional porque, segundo eles, podem ser fatais após sete anos de negociações sobre a redução das barreiras aduaneiras no mundo.
O presidente francês disse que não permitirá que a agricultura européia seja sacrificada, dificultando ainda mais o caminho para um bom desfecho na Rodada de Doha, afirmou Jean Pierre Lehmann, diretor do grupo Evian, um círculo de reflexão sobre assuntos comerciais.
"Os franceses são um problema, mas não é o único: quando o Congresso americano votou mês passado a alta dos subsídios agrícolas, foi totalmente incompatível com as negociações", explicou Lehmann.
A Rodada de Doha, lançada no fim de 2001 na capital do Qatar, deveria ter sido concluída em 2004, mas o processo está paralisado devido às diferenças entre os países emergentes, que reivindicam maiores reduções dos subsídios agrícolas no mundo, e os países industrializados.
A Rodada de Doha deve entrar na hora da verdade em 21 de julho, quando a OMC abrirá uma reunião decisiva em Genebra.
A França, primeira beneficiada pelos subsídios da União Européia, está em condições de obter o apoio de muitos dos 27 países do bloco europeu.
Segundo Sarkozy, o acordo que está sendo preparado na OMC provocaria uma queda de 20% na produção agrícola européia, um dado que Bruxelas e diversos especialistas negam. Este últimos falam em uma redução de apenas 1,1%.
"Eu gostaria de ter a fonte dos números citados por Sarkozy", afirmou surpreso o economista Patrick Messerlin, cujo grupo de economia mundial na faculdade de Ciências Políticas calculou em 15% o máximo da redução que alguns setores protegidos, como o dos cereais, podem sofrer.
Brasil
O premiê do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou nesta quarta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está disposto a desbloquear as negociações da Rodada Doha. Brown diz ter recebido a mensagem de Lula na reunião bilateral durante a cúpula do G8 (grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia), na ilha japonesa de Hokkaido.
Para Brown, essa mensagem de Lula é crucial para as negociações que alguns países-membros da OMC, entre eles Brasil, Índia e Estados Unidos, realizarão neste mês em Genebra.
"Reino Unido e Brasil acreditam que um ambiente comercial aberto levará prosperidade às pessoas de todo o mundo e ajudará a tirar milhões de pessoas da pobreza", assinalaram os dois países em comunicado conjunto divulgado após a reunião.
"Estamos convencidos de que, em um momento no qual existe uma incerteza econômica global e os preços dos alimentos sobem, devemos abrir os mercados e ampliar o comércio em vez de recorrer ao protecionismo", diz a mensagem.
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