BCE descarta possibilidade de preços do petróleo caírem no curto prazo
da Efe, em Frankfurt
O BCE (Banco Central Europeu) avalia que os preços do petróleo se manterão no curto prazo nos níveis atuais, e continuarão sendo muito sensíveis ao cenário geopolítico. "Os participantes dos mercados prevêem que, a médio prazo, os preços se situarão em torno dos US$ 146 em dezembro de 2009, mas agora existe muita mais incerteza do que antes", informa o boletim mensal do BCE publicado nesta quarta-feira.
O BCE destacou que, nas últimas semanas, os preços do petróleo alcançaram novos máximos históricos. Os preços do petróleo estão atualmente em torno de 51% acima do nível observado no começo do ano, o que, em euros, representa um aumento de 40%.
Na opinião do BCE, os mercados em geral foram sumamente voláteis e sensíveis às notícias e rumores relativos às variáveis fundamentais.
Pelo lado da demanda, o BCE afirmou que "a desaceleração das importações da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] está sendo compensada com um sólido crescimento da demanda das economias emergentes".
O aumento de preços levou algumas destas economias, incluindo China e Índia, a reduzir suas políticas de subvenção, mas, segundo o BCE, "estas medidas não tiveram nenhum efeito significativo a curto prazo sobre os preços mundiais do petróleo e, possivelmente, só repercutirá na demanda a médio prazo".
Quanto à oferta, o BCE disse que a reunião realizada no final de junho pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para examinar a evolução dos preços "não se traduziu em soluções capazes de aliviar a pressão".
"A Arábia Saudita anunciou um aumento da oferta e investimentos para aumentar a produção, mas isso também não teve um impacto significativo nos mercados", informa o BCE em seu relatório.
Sobre os preços das matérias-primas não energéticas, o BCE constatou que estes aumentaram em junho, alcançando níveis próximos aos máximos históricos de março.
Segundo o banco europeu, este aumento teve sua origem, em grande parte, na escalada dos preços dos alimentos, enquanto os preços dos metais se mantiveram relativamente estáveis.
"Os preços do milho, em particular, experimentaram uma acusada alta que contagiou outras matérias-primas, principalmente a soja e o trigo", destaca o BCE.
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