Meirelles diz que inflação voltará para o centro da meta em 2009
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta quinta-feira que a autoridade monetária continuará atuando de forma a trazer a inflação de volta ao centro da meta, de 4,5%, já em 2009. O objetivo, segundo Meirelles, é evitar que se instale um ambiente de pessimismo inflacionário.
"Nas atuais circunstancias domésticas, existe o risco de que os agentes econômicos passem a atribuir maior probabilidade de que elevações da inflação sejam persistentes, o que implicaria em redução da eficácia da política monetária", afirmou em seminário em São Paulo.
Segundo divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) hoje, nos últimos 12 meses, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumula alta de 6,06%, acima dos 5,58% identificados nos 12 meses imediatamente anteriores. O índice se aproxima, portanto, do teto superior (6,50%) da meta de inflação estipulada pelo Banco Central. Em junho de 2007, a inflação pelo IPCA subiu 0,28%.
Meirelles descartou que os esforços do BC em conduzir a inflação ao centro da meta acarretem efeitos negativos sobre a economia. Para ele, a adoção de medidas eficazes neste momento podem evitar atitudes mais drásticas e prejudiciais à população.
"Nossa avaliação é que permitir que preços inicialmente isolados de preços, como alimentos e commodities, leve à deterioração das expectativas de inflação e de uma piora dos índices de uma maneira persistente pode fazer que, de fato, o combate à inflação tenha que ser mais custoso para a sociedade. Portanto, um combate à inflação feito na hora certa, tempestiva, a história mostra, inclusive no Brasil, é o que produz melhores resultados com o menor custo para a sociedade", disse.
Para ele, no entanto, os riscos à trajetória esperada de inflação estão menos favoráveis. No cenário externo, ele apontou a menor efetividade das importações para controlar a inflação.
No cenário interno, Meirelles afirmou que o ritmo acelerado de expansão da demanda continua como uma importante ameaça de pressionar inflação com aparecimento de restrições à expansão da oferta.
"O BC avalia que a redução consistente do descompasso entre o ritmo da ampliação da oferta de bens e serviços e da demanda continua sendo elemento central na avaliação de diferentes possibilidades para a política monetária", afirmou.
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