Petróleo ultrapassa marca de US$ 147 e bate novo recorde
da Folha Online
O preço do petróleo continua em rota ascendente e atingiu nova marca recorde nesta sexta-feira, tendo chegado à marca de US$ 147,27 na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês).
A tensão crescente no Oriente Médio --com os testes do Irã com mísseis--, na África --com o risco de novos conflitos na Nigéria-- e a possibilidade de uma greve da Petrobras na próxima semana afetou a confiança dos investidores na capacidade do mercado de lidar com os temores de escassez do produto frente à expansão da demanda. Às 12h06 (em Brasília), o barril do petróleo cru para entrega em agosto estava cotado a US$ 145,67, em alta de 2,84%.
O MPT (Ministério Público do Trabalho) convocou representantes da Petrobras e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense para definição de efetivo mínimo para a manutenção da produção na próxima semana. Os petroleiros prometem parar parte da produção de 41 plataformas da Petrobras durante cinco dias, a partir da próxima segunda-feira (14).
O diário financeiro especializado em economia e finanças "Financial Times" ("FT") informou em um artigo publicado na edição desta sexta-feira que a ameaça de greve na Petrobras pode provocar uma elevação maior dos preços do petróleo bruto. O jornal diz que os preços do petróleo subiram na quinta-feira quando trabalhadores da maior empresa petrolífera do Brasil ameaçaram cruzar os braços na semana que vem.
O "Financial Times" lembra o impacto que uma greve anterior teve no Brasil. "Quando os funcionários da Petrobras se recusaram a trabalhar por cinco dias em 2001, a produção de petróleo diminuiu acentuadamente e o Brasil teve que importar uma quantidade extra (de petróleo)', diz o texto da reportagem.
O MPT quer manter um nível mínimo de produção que atenda às necessidades básicas do país. O diretor do sindicato, José Maria Rangel, disse que a greve é irreversível. Segundo o sindicalista, a Petrobras havia recebido prazo para formalizar proposta até o dia 4 de julho, e marcou reunião para a última terça-feira. No encontro, alega o sindicato, não houve proposta da estatal. A ordem é que as negociações só sejam reabertas após a greve.
A Petrobras informou que está aberta a negociações e que não iria comentar o caso. O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse mais cedo, no Rio, que acredita que a Petrobras saberá conduzir o tema da forma necessária.
As tensões no Irã e na Nigéria reverteram a tendência de redução no preço da commodity, que vinha sendo registrada nesta semana.
A imprensa estatal iraniana informou ontem que o país realizou durante a madrugada mais testes com mísseis de médio e longo alcance, em uma segunda rodada de exercícios militares. Na quarta-feira (9), a Guarda Revolucionária iraniana já havia anunciado a realização "com sucesso" de testes com nove mísseis no golfo Pérsico. Logo após as primeiras informações dos testes ontem, os EUA afirmaram que o Irã devia suspender o desenvolvimento de mísseis balísticos e a realização de testes se pretende ganhar a confiança do mundo.
O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que o país está pronto para atacar as instalações nucleares iranianas, dizendo que Israel "mostrou no passado que não hesitará em agir para proteger seus interesses vitais de segurança forem ameaçados".
Ontem o Mend (Movimento para a Emancipação do Delta do Níger, na sigla em inglês) disse, segundo a agência de notícias Associated Press (AP), que vai abandonar no sábado o cessar-fogo adotado há duas semanas. O grupo informou que voltará a atacar a área do rio Níger, onde se concentra a produção petrolífera do país, depois que o governo britânico anunciou recentemente que pretende apoiar o governo nigeriano para enfrentar os conflitos na região. O grupo está por trás dos ataques realizados contra as instalações das empresas petrolíferas que atuam no país, o que vem afetando a produção.
Um relatório divulgado nesta quinta-feira pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) afirma que existe petróleo suficiente para suprir o mercado mundial e que a demanda não é o principal fator na alta do preço da commodity.
A Opep também apontou ontem em um relatório que a baixa cotação internacional do dólar e problemas no intercâmbio de commodities como os principais responsáveis pelo fenômeno. A organização também prevê que a demanda por energia deve crescer mais de 50% entre 2006 e 2030. Até lá, o petróleo deve continuar respondendo por mais de 85% da matriz energética.
Os preços ainda refletem a queda de 5,9 milhões de barris nas reservas de petróleo dos Estados Unidos na semana passada. Os analistas do setor petrolífero esperavam uma queda menor, de 2,1 milhões de barris. Na semana anterior, as reservas de petróleo já tinham caído em 2 milhões de barris.
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Ainda bem que o petróleo (inclusive o do pré sal) é TOTALMENTE NEUTRO em se tratando de efeito estufa & congêneres, não é?
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