Trabalhadores rejeitam acordo e greve dos Correios continua
FERNANDO ANTUNES
Colaboração para a Folha Online
Os funcionários da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) rejeitaram nesta sexta-feira a proposta em suspender a greve para negociar suas reivindicações em troca de a empresa também suspender a implantação das mudanças nas gratificações. O acordo foi sugerido pelo presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Rider Nogueira de Brito, e aceito pela direção dos Correios.
Com isso, a greve permanece, pelo menos, até a próxima segunda-feira. Segundo a empresa, em 11 dias de paralisação, 270 milhões de correspondências foram postadas, sendo que apenas 66% foram entregues (178,2 milhões). Além disso, 6,5 milhões de encomendas foram encaminhadas e 95% chegaram ao destinatário (6,175 milhões).
O presidente do TST apresentou na quinta-feira uma proposta para a empresa suspender a aplicação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários de 2008, "exclusivamente em relação aos carteiros que prestam serviços externos, prevalecendo todas as condições anteriores".
Assim, os carteiros deixariam de receber o valor linear de R$ 260, que foi estabelecido pelo plano da empresa, e voltariam a receber, neste mês e em agosto, os 30% de abono como acontecia antes. A contrapartida dos trabalhadores seria a suspensão da greve.
Recusa
Segundo José Gonçalves de Almeida, representante da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), a categoria quer discutir mudanças na proposta do ministro: garantir o pagamento do adicional de 30% e abrir negociação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários.
A categoria reivindica o cumprimento integral de um acordo assinado em novembro de 2007. Os principais pontos não cumpridos seriam a incorporação de 30% de adicional de periculosidade nos salários, negociação do plano de carreira e participação nos lucros.
Os Correios afirmam que o compromisso, com o pagamento de um adicional de R$ 260 já na folha deste mês.
Balanço
Neste sábado (12), a Fentect organiza em Brasília uma reunião com presidentes e representantes dos 33 sindicatos no país que são filiados à entidade. "Vamos fazer uma avaliação do movimento até o momento", explicou Almeida.
Os trabalhadores também querem incluir no acordo de suspensão da greve a revogação da decisão de cortar o ponto dos grevistas, desde o dia 2 de julho. Almeida afirmou que os funcionários se comprometem a colocar a entrega das correspondências em dia se os Correios desistirem de descontar os dias parados.
Adesão
Nesta sexta-feira (11), segundo a empresa, a paralisação atingia 21 Estados mais o Distrito Federal. Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Roraima e Tocantins estavam com o atendimento regular.
Os Correios afirmaram que 18% do total dos trabalhadores --110 mil empregados-- e 27% dos carteiros --53 mil-- estavam de braços cruzados hoje.
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