Dinheiro
14/07/2008 - 19h01

Em 14 dias, greve nos Correios atrasa 108 milhões de cartas

FERNANDO ANTUNES
Colaboração para a Folha Online

A greve dos funcionários da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), deflagrada em 1º de julho, fez com que 108 milhões de correspondências e 365 mil encomendas deixassem de ser entregue aos seus destinatários.

A paralisação atinge 21 Estados mais o Distrito Federal e conta com a adesão de 18% do total dos trabalhadores --110 mil empregados-- e 27% dos carteiros --53 mil.

Segundo os Correios, em situações normais (sem greve) o volume de objetos que passam pela empresa é de 33 milhões de objetos. Nos 14 dias de paralisação, diz os Correios, os clientes postaram 300 milhões de correspondências, sendo que apenas 64% foram entregues, e 7,3 milhões de encomendas, com 95% já encaminhadas aos destinatários.

Ricardo Marques/Folha Imagem
Funcionarios dos Correios em greve fizeram manifestação em frente ao Palácio do Planalto.
Funcionarios dos Correios em greve fizeram manifestação no Palácio do Planalto.

A categoria reclama que os Correios não fizeram a incorporação de 30% de adicional de periculosidade nos salários, negociação do plano de carreira e participação nos lucros, que estariam previsto no acordo.

A empresa afirma que o compromisso foi cumprido, com a adoção do plano de carreira e o pagamento de um adicional de R$ 260 já na folha deste mês.

Conciliação

Nesta terça-feira, às 9h, será retomada a audiência de conciliação no TST (Tribunal Superior do Trabalho) suspensa na segunda-feira da semana passada. O presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, propôs um acordo para o fim da greve e abertura de negociação entre as partes.

A empresa aceitou a proposta, que previa suspender a aplicação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários de 2008, o fim do pagamento do adicional de R$ 260 e o retorno por dois meses do abono de 30% dos salários. A categoria não aceitou a proposta.

Segundo o TST, caso as partes não cheguem em um acordo amanhã, o presidente deverá instaurar dissídio, marcar a data do julgamento da ação de abusividade da greve e sortear o juiz relator.

Manifestação

Cerca de 600 carteiros realizaram hoje uma manifestação em Brasília para solicitar uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o secretário-geral da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), Manoel Cantoara, o encontro não aconteceu.

O grupo saiu por volta das 11 da manhã da catedral de Brasília e chegaram pouco depois no Palácio do Planalto. Barracas foram montadas e a intenção é montar acampamento em frente a sede do governo até ser recebido pelo presidente.

"Tem um grupo que pretende ficar acampado, mas a polícia está colocando dificuldade", afirmou Cantoara no início da noite desta segunda, informando que havia ainda cerca de 100 pessoas no local.

 

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