BC diz que aumento de juros terá efeito sobre a inflação até o fim do ano
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira, em apresentação ao Senado, que o aumento da taxa básica de juros terá efeitos sobre a inflação até o final do ano.
"O BC trabalha com mecanismos que têm uma certa defasagem. Medidas tomadas pelo BC nesse momento terão efeito no final do ano, início do ano que vem", disse Meirelles.
Ele voltou a dizer que o compromisso do BC é de fazer com que a inflação caminhe para o centro da meta de 4,5% novamente em 2009. Em relação a 2008, afirmou que ela deve ficar dentro do intervalo de tolerância de dois pontos percentuais, que permitiram que a taxa ficasse em até 6,5%.
"No momento em que o BC mira uma inflação para o ano seguinte, ele mira na meta. No caso de 2008, houve um choque externo e está previsto no sistema de meta de inflação um desvio do centro da meta", disse.
Inadimplência
Em relação aos números sobre inadimplência, o presidente do BC afirmou que os dados do BC mostram que ela está sob controle.
Segundo ele, o BC está atento para que o aumento da inflação não reduza a capacidade das famílias brasileiras para pagarem suas dívidas. O receio é que gastos maiores com alimentos, por exemplo, reduzam a parcela dos salários que poderiam ser utilizados para isso.
"O importante nesse processo é o controle da inflação. A inflação é em última análise o que leva a essa desorganização. Os preços tendem a subir mais rapidamente do que os salários. Aí o risco de inadimplência é grave. As famílias fazem um plano e de repente são surpreendidas por um aumento de custos. As despesas sobem e o crédito continua", afirmou.
Indústria
Em audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Meirelles disse que o nível da capacidade instalada da indústria brasileira está crescendo menos que a produção, o que indica uma maturação dos investimentos no setor.
A avaliação é próxima da divulgada pela CNI
(Confederação Nacional da Indústria) no início do mês.
"Existe um nível alto hoje de uso da capacidade instalada no Brasil. No entanto, o aumento do uso da capacidade está se dando em uma escalada menor do que a produção industrial. Isso indica uma maturação dos investimentos. É exatamente o que se esperava", disse Meirelles.
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