Crescimento do emprego na indústria não tem mesmo vigor de 2007, diz Fiesp
FERNANDO ANTUNES
Colaboração para a Folha Online
A alta dos índices de inflação, causada principalmente pela elevação dos preços internacionais dos alimentos e petróleo, reduz o ritmo de crescimento da indústria em 2008. Apesar disso, segundo Paulo Francini, diretor do departamento de economia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), a atividade industrial ainda não está ruim.
"Mas aquele vigor que observamos no ano passado já não existe mais. A demanda em alguns setores mostra um sinal de cansaço", explicou Francini.
Segundo a Fiesp, a taxa de crescimento do emprego industrial deve ficar entre 3,5% e 4% este ano. Em 2007, a entidade registrou expansão 5,01%, com a geração de 104 mil vagas.
Nesta terça-feira, a Fiesp divulgou que o nível de emprego da indústria de transformação do Estado de São Paulo subiu 0,21% (5.000 vagas criadas) em junho na comparação com o mês anterior, segundo dados sem ajuste sazonal. Em maio, a alta sobre abril tinha sido de 0,35%, com abertura de 8 mil vagas.
| Joel Silva/Folha Imagem |
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| Contratações no campo já foram feitas e taxa de novas vagas deve se manter estável |
Considerando os dados com ajuste sazonal, que elimina características específicas de cada período, a alta no emprego no mês passado foi de 0,19%. No acumulado do primeiro semestre, o nível de emprego está 6,48% maior que no mesmo período do ano passado, com 141 mil novas vagas abertas. O setor que mais contratou foi o sucroalcooleiro, com 34.002 vagas.
Juros
Para Francini, a inflação e as elevações dos juros básicos no país geram expectativas dos industriais quanto ao emprego no ano que vem.
"O empresário não toma decisões lendo jornal mas conforme a demanda da sua empresa. "[A preocupação] sobre a taxa de crescimento se volta mais para 2009 que este ano", disse.
Porém, ao contrário do que ocorre normalmente, a Fiesp não critica a atual política de elevação da taxa Selic do Banco Central para combater a inflação. "Nós achamos que a luta contra o crescimento da inflação tem de ser tomada. Acreditamos que vai crescer ainda mais a taxa de juros", argumentou Francini.
Para a Fiesp, a alta da inflação é maior para a população de menor renda, pois essa faixa gasta a maior parte do salário com o consumo de alimentos, retraindo a demanda para outras coisas.
Setores
No levantamento de junho, o setor de máquinas para escritórios e equipamentos de informática, principalmente, teve crescimento de 10,75% no emprego. Francini afirmou que a redução de tributos para a área de informática, com a redução da informalidade, reflete positivamente em todas as empresas do setor.
"A demanda por produtos de informáticas cresce na proporção de dois dígitos", informou.
Apesar de apresentar redução no emprego em junho, com variação negativa de 2,84% em relação a maio, o setor de Coque, Petróleo, Combustíveis nucleares e Álcool ainda lidera a geração de vagas no acumulado do ano, com 34,99%, seguido por alimentos e bebidas, com 28,50%.
Nos dois setores, segundo a Fiesp, a plantação e colheita da cana-de-açúcar têm grande influência e é normal que a contratação de novos empregados fique estabilizada até o fim do ano.
"O campo já está com os empregos que iria gerar [neste ano] e até o fim de 2008 o emprego na indústria deve estabilizar", informou Francini. Segundo o diretor da Fiesp, os meses de fevereiro, março, abril e maio serão utilizados para a contratação de mão-de-obra, e em novembro, dezembro e janeiro esses empregos temporários desaparecem.
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