Polícia prende 38 acusados de adulteração de combustíveis em 3 Estados
da Folha Online
A Polícia Rodoviária Federal prendeu nesta terça-feira 38 acusados de integrar uma organização criminosa especializada em adulteração de combustíveis. Com sede em Alagoas, o grupo tinha ramificações em São Paulo e Bahia. Pelos cálculos da PRF, os criminosos adulteravam mensalmente mais de 600 mil litros de combustíveis e faturavam R$ 2 milhões.
De acordo com a PRF, os presos na chamada Operação Paracelso integrariam três quadrilhas que se associaram para a prática dos crimes de adulteração, comércio ilegal de derivados de petróleo, contrabando de armas e munições, sonegação fiscal e roubo de cargas. A investigação aponta ainda que as quadrilhas seqüestravam e assassinavam caminhoneiros que não faziam parte do esquema criminoso.
Realizada pela Divisão de Combate ao Crime da PRF em conjunto com o Ministério Público Estadual de Alagoas, a operação cumpriu ainda 34 mandados de busca e apreensão. Com os presos, também foram apreendidas 15 armas de fogo de diversos calibres, dinheiro, veículos de carga e de passeio e produtos adulterados.
Cerca de 280 policiais rodoviários federais foram deslocados de 13 Estados e do Distrito Federal para a operação, que contou com mais de 80 viaturas e dois helicópteros.
Investigação
De acordo com investigações, que começaram há um ano, o alvo dos criminosos eram caminhões de combustíveis e derivados de petróleo que partiam do Pólo Petroquímico de Camaçari (BA) em direção a Pernambuco, pela BR 101.
No meio do caminho, motoristas que trabalhavam para os bandidos desviavam os veículos de suas rotas originais para estabelecimentos conhecidos em Alagoas como "trambiques" --pontos de comércio misto, com postos de combustíveis, oficinas, borracharias e serviços de conveniência para o caminhoneiro-- e os deixavam escondidos sob galpões.
Os bandidos, então, furtavam cerca de 5% do combustível transportado em cada caminhão, que depois era revendido. Por conta da diferença de volume, solventes como tolueno e benzeno, além de metanol, eram adicionados ao produto original. Nos carregamentos de álcool, os criminosos adicionavam água ao combustível.
O grupo também adulterava cimento de construção, que era enviado para São Paulo. Segundo as investigações, às cargas eram adicionados cal e areia fina, tornando a mistura mais barata e frágil.
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