Funcionários dos Correios querem negociar dias parados
FERNANDO ANTUNES
Colaboração para a Folha Online
Passados 15 dias de greve dos funcionários da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), a categoria incluiu nesta terça-feira, na pauta de reivindicações, a negociação dos dias não trabalhados, além do cumprimento de um acordo assinado em 2007.
Os Correios afirmaram no primeiro dia de paralisação, em 1º de julho, que o ponto dos grevistas seria cortado.
A Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) propõe que os servidores façam uma força tarefa para entregar as correspondências atrasadas em troca de não ter os dias parados descontados.
Segundo os Correios, a paralisação fez com que 115,7 milhões de correspondências deixassem de ser entregues, além de 400 mil encomendas.
A greve atinge 21 Estados mais o Distrito Federal e conta com a adesão de 19% do total dos trabalhadores --110 mil empregados-- e 28% dos carteiros --53 mil.
| Alan Marques/Folha Imagem |
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| Pelo segundo dia, funcionários dos Correios fazem protesto no Palácio do Planalto |
Reivindicação
A categoria reclama que os Correios não fizeram a incorporação de 30% de adicional de periculosidade nos salários, negociação do plano de carreira e participação nos lucros, que estariam previsto no acordo firmado em novembro do ano passado e ratificado em abril deste ano.
A empresa afirma que o compromisso foi cumprido, com a adoção do plano de carreira e o pagamento de um adicional de R$ 260 já na folha deste mês.
Negociação
Os funcionários dos Correios rejeitaram pela segunda vez uma proposta feita pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho), após audiência de conciliação realizada nesta terça-feira, que previa a suspensão da greve e abertura de negociação com a empresa.
O presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, propôs excluir os carteiros do plano de carreira de 2008, pagar 30% por mês como gratificação de serviços de entrega e coleta (proporcional ao número de horas passados na rua, em atividade), dividir o prejuízo da paralisação entre as partes (os Correios pagariam 50% dos dias parados para compensar o corte do ponto) e impedir demissões pelo prazo de 60 dias (a contar de 18 de julho, caso haja acordo).
Para a agência Brasil, o superintendente executivo de Gestão de Pessoas dos Correios, Alberto de Mello Mattos, disse que a empresa aceita a proposta do TST, mas ressaltou que a negociação chegou ao limite do ponto de vista financeiro, pois o abono de 30% geraria impacto econômico de R$ 390 milhões por ano para a empresa.
Os trabalhadores têm até a próxima quinta-feira (17), às 12h, para mudarem de opinião quanto a proposta. Caso contrário, o ministro Maurício Godinho Delgado vai julgar a ação de abusividade da greve.
O secretário-geral da Fentect, Manoel Cantoara, afirmou que os servidores dos Correios gostaram da indicação de Delgado por considerá-lo "progressista". Mesmo assim, Cantoara acredita que um acordo sairá antes do julgamento.
"Acreditamos que a empresa fará uso do bom senso e voltará à mesa de negociação", disse o sindicalista.
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