Dinheiro
16/07/2008 - 12h25

OCDE defende revisão completa de políticas para biocombustíveis

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da France Presse, em Paris

A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos) é favorável a uma moratória sobre os biocombustíveis e defende uma completa revisão das políticas atuais sobre o assunto, num relatório publicado nesta quarta-feira que critica o custo elevado dos combustíveis de origem vegetal e seu benefício ambiental duvidoso.

"Seria muito útil ter uma moratória, os programas atuais devem ser reconsiderados", declarou Stefan Tangermann, diretor para a agricultura e o comércio da OCDE, à agência France Presse.

No relatório, a OCDE destacou que as políticas de apoio aos combustíveis, muito caras, têm um impacto limitado sobre a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa e sobre a melhoria da segurança energética.

Elas têm em contrapartida um "impacto significativo sobre os preços mundiais dos produtos alimentares."

Inicialmente tidos como uma ferramenta de luta contra o aquecimento climático, os biocombustíveis são agora amplamente denunciados como uma das causas da disparada dos preços dos alimentos, porque distorcem os mercados dos produtos agrícolas necessários para sua fabricação.

"As novas iniciativas políticas só vêm agravando os problemas já existentes" e devem principalmente continuar favorecendo a alta dos preços agrícolas e acentuar os riscos de fome entre as populações mais pobres dos países em desenvolvimento, continuou o relatório.

A produção de álcool (cereais ou cana-de-açúcar) e de biocombustíveis (óleos vegetais) avançou rapidamente nos últimos anos e deve ainda dobrar nos próximos dez anos.

Os EUA são os primeiros produtores de álcool, com 48% da produção mundial em 2007, à frente do Brasil (31%), enquanto a União Européia lidera com 60% a produção mundial de biodiesel.

"Na maioria dos países, os biocombustíveis dependem fortemente dos subsídios públicos", mas particularmente nos Estados Unidos, Canadá e na União Européia, onde chegam a US$ 11 bilhões e devem atingir US$ 25 bilhões daqui a 2013-2017, acrescentou o relatório da OCDE.

Os programa subvencionados nestas três grandes áreas vem provocando no entanto reduções apenas moderadas das emissões de gases do efeito estufa, da ordem de 1% do total das emissões devido ao setor dos transportes.

Se o álcool produzido a partir da cana-de-açúcar, como no Brasil, "reduz geralmente as emissões de gases causadores do efeito estufa em pelo menos 80% em relação aos combustíveis fósseis, os biocombustíveis produzidos à base de trigo, beterraba, óleos vegetais, ou milho como nos EUA, na Europa e no Canadá, reduzem as emissões em apenas 30% ou até 60%", continuou a organização.

A OCDE defende portanto a suspensão das barreiras aduaneiras sobre os biocombustíveis e das matérias usadas para sua produção, para reduzir seu custo e melhorar sua eficácia energética.

Ela recomenda também investimento em pesquisa sobre biocombustíveis de segunda geração, que usa resíduos agrícolas ou das plantas não alimentares.

Esta tecnologia não será operacional antes talvez de dez ano e deve a partir de agora precisar ainda mais de subvenções do que os combustíveis clássicos.

O relatório convida também à se concentrar em economias de energias, que permitem uma maior redução das emissões de gases do efeito estufa por um custo muito inferior ao desenvolvimento dos biocombustíveis. Pelas mesmas razões, a OCDE recomenda intensificar os esforços de redução das emissões em outros setores, como o da construção.

O desenvolvimento da produção de biocombustíveis em certas zonas tropicais merece no entanto ser analisado, ressaltou o relatório.

Comentários dos leitores
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Muito alarido, pelo diretor da FAO. ele está fazendo o seu papel. Agora... previsão para 2050 (daqui 40 anos). Será que esse diretor ou os especialistas se lembram do que seria necessário fazer, em 1968 em relação à fome no mundo? Em 40 anos, quais países ainda serão emergentes? É realmente problema de vontade política e de se ensinar e dar condições de "pescar" e não de dar o peixe já frito a esse segmento faminto da sociedade. Soluções estão à mostra a todo momento e para todo mundo. Uma delas é a transferência de tecnologia. Com tanta boa vontade que notamos em nossos líderes mundiais, não seria difícil um consórcio onde se ensinaria e proveria de boa infra-estrutura, de forma eficiente e eficaz, o cultivo, a produção, consumo de alimentos, erradicando a fome no mundo. Medidas nesses moldes não são para 2040, 2050 e sim pra já. A FAO deveria atuar em idéias semelhantes, em reunir nações realmente empenhadas em ajudar o povo faminto desse planeta e não em fazer considerações do que esse ou aquele País deve fazer. sem opinião
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O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
"Países emergentes precisam dobrar produção de alimentos até 2050..."
Aqui no Brasil, podem esquecer.
Sem chance...
Ao menos se continuarem os atos de organizações tipo MST, que invadem, destroem e queimam lavouras, com nossas autoridades assistindo á tudo, imersas no mais profundo e nojento silêncio constrangedor, não vai ter produção suficiente não.
Estamos deixando de ser uma nação do agronegócio, e nos tornando uma republiqueta especializada no "agroterror"...
4 opiniões
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Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Os paises ricos são uma piada mesmo. Enquanto eles destroem a Terra, querem que os paises emergentes alimentem aqueles que os ricos destroem. Devem os emergentes ajudar os pobres sim... mas os ricos deveriam e vão morrer de fome um dia. sem opinião
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