Dinheiro
17/07/2008 - 09h00

STF avalia desde 2003 quebra do monopólio dos Correios

LUCIANA OTONI
HUMBERTO MEDINA
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Enquanto a população enfrenta a greve dos Correios há semanas, o STF (Supremo Tribunal Federal) analisa, desde novembro de 2003, a quebra do monopólio da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) na entrega de correspondências.

A ação foi proposta pela Abraet (Associação Brasileira das Empresas de Distribuição) e, desde o início do processo, 5 dos 11 ministros do Supremo votaram a favor da manutenção do monopólio. Um dos ministros votou pela quebra parcial do monopólio (apenas para entregas comerciais), outro pela liberalização do mercado e faltam ainda o voto de quatro membros do tribunal. Não há data para a retomada do julgamento.

Os representantes das empresas privadas de entrega de cartas vêem o atual placar de votos com pessimismo. O diretor do Setcesp (Sindicato dos Transportadores de Cargas de São Paulo e Região), Antônio Juliani, comenta que, se ao fim do julgamento a exclusividade dos Correios nos serviços de postagem for mantida, vai haver retrocesso e desemprego. "O balanço de votos no STF é trágico e capaz de tornar o Brasil um parque jurássico em termos de logística", reclama.

Informações setoriais da Abraet e do Setcesp indicam que o segmento privado de entrega de correspondências e encomendas reúne 15 mil empresas e 1,5 milhão de trabalhadores. Somente em São Paulo, 180 mil motoboys estão vinculados a esses negócios. "Se não fossem essas empresas, os efeitos da greve seriam bem piores", avalia o secretário-geral da Abraet, Bruno de Souza.

Em termos de prestação de serviço, enquanto os Correios faturam perto de R$ 9,7 bilhões (sendo cerca de 50% desse resultado proveniente da movimentação diária média de 30 milhões de correspondências), esse segmento movimenta 200 mil entregas por dias concentradas em talões e cartões, compras feitas pela internet e documentos movimentados por escritórios de advocacia, contabilidade e pequenas empresas.

A diretoria dos Correios não comenta o julgamento. Na defesa do monopólio, o argumento é o de que o país possui agências deficitárias mantidas por aquelas que são lucrativas e que esse tipo de prestação de serviço exige subsídio cruzado.

Greve

Trabalhadores dos Correios que mantêm a greve e a diretoria da empresa voltam a se reunir hoje no TST (Tribunal Superior do Trabalho) em uma nova tentativa de conciliação.

O balanço da greve mostrou adesão de cerca de 27% dos 53 mil carteiros em 21 Estados e no Distrito Federal. Com a paralisação, o atraso na entrega de correspondências e encomendas já exige trabalho extra de dez dias.

Os Correios informaram que a entrega das correspondências atrasadas está sendo feita por ordem de postagem. No segmento das encomendas está sendo dada prioridade ao Sedex. Os serviços de Sedex 10 e Disque Coleta continuarão suspensos enquanto perdurar a greve dos funcionários.

Comentários dos leitores
rubens luiz (3) 24/07/2008 21h57
rubens luiz (3) 24/07/2008 21h57
Fico feliz ao ler estes comentários, principalmente por perceber que nosso povo a cada dia que passa se importa com sálarios,benefìcios e também com as leis que regem nosso país. A indignação é sim muito louvável espero que daqui pra frente isso se reflita em outras partes do funcionalismo público( vamos analizar se é justo os sálarios dos políticos, dos seus acessores....) Lamento apenas por ñ saberem o motivo principal da paralização( o correio ñ é resumido apenas a carteiros) se essa empresa pública de capital fechado aplica-se o PCCS na forma que foi contituido em 1995 nada disso teria acontecido. Pra finalizar gostaria apenas informar que os funcionários dos correios NÃO são funcionários públicos. sem opinião
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Helena Manzione (169) 22/07/2008 13h50
Helena Manzione (169) 22/07/2008 13h50
SAO PAULO / SP
Perigoso é ser brasileiro 1 opinião
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josé reis barata barata (1638) 22/07/2008 09h23
josé reis barata barata (1638) 22/07/2008 09h23
ARACAJU / SE
Gratificações salariais e o jeitinho brasileiro.
A divisão do trabalho, especialidades, profissões denominadas cargos (no serviço público) e empregos (na iniciativa privada) têm seus fundamentos em características particulares que as identificam e personalizam. Ora, no momento em que se procura nos diversos róis de atribuições que os conformam razões para adicionar a este ou aquele salário determinado, esta ou aquela gratificação correspondente; evidente que todos, são diferentes, sem exceção e independente do nível, e por isto apresentarão sempre suficientes razões para,também, todos, as fazer jus. O percentual então é caso mais ridículo e desarrazoado ainda :apresenta-se como se fosse humanamente possível estabelecer, sem arbítrio, o valor matemático relativo desta ou daquela complexidade ou dificuldade do cargo/ emprego. Tudo, tudo "jeitinho brasileiro de ser": Mitos, hipocrisias e inverdades!
O que é o real, sério, honesto e correto e o moral: é o salário único, decente,digno e sem adereços e endereços políticos, com reajustes corretivos e iguais para todos que o mundo financeiro detesta, pois , reduz juros e lucros do capital empregado, sem a mentira do respectivo aumento geral dos bens e serviços e, ainda que ocorram, simples mudança nos termos nominais .
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