Indústrias e lojas reclamam dos transtornos com greve dos Correios
CLAUDIA ROLLI
da Folha de S.Paulo
Indústria e comércio reclamam dos transtornos causados pela greve dos funcionários dos Correios e avaliam que os prejuízos em seus negócios só poderão ser contabilizados após o fim da paralisação, que completa hoje 17 dias.
A Associação Comercial de São Paulo já prevê que lojistas possam ter problemas de caixa. Os motivos, segundo a entidade, são os atrasos na entrega dos boletos de cobrança e a demora na atualização do cadastro de inadimplentes do Serviço Central de Proteção ao Crédito.
'Antes de incluir o nome dos consumidores inadimplentes no cadastro, é enviada uma correspondência a cada consumidor. É concedido, após esse envio, um prazo de dez dias para que a pessoa possa quitar o débito. Cerca de 20% dos inadimplentes pagam as dívidas nesse prazo', diz Marcel Domingos Solimeo, economista da associação. 'Se não recebem a carta, não pagam. Se não pagam, o prejuízo é do lojista.'
Por mês, a associação envia 6 milhões de correspondências aos inadimplentes.
Na indústria também há reclamações. A empresa de amplificadores Meteoro, em Guarulhos, enfrenta dificuldades no envio de peças de reposição para todo o país para músicos que compram seus produtos. 'O envio está sendo feito por Sedex, o que encarece os custos em cerca de 50%. Vamos deixar o cliente na mão?', questiona a diretora Kika Orlandi.
Com 130 funcionários, a empresa não recebeu ainda a ficha de inscrição para participar de uma feira internacional na Alemanha. 'Os que se inscrevem primeiro têm prioridade na escolha de seus estandes. Ou seja, a greve também acaba por afetar negócios futuros.'
Para Fabio Sacheto, um dos proprietários da Florus, indústria de cosméticos de Taboão da Serra, a paralisação trouxe prejuízos na entrega de produtos aos clientes. "São cerca de 60 entregas a consumidores por mês."
No caso da Confederação Nacional da Indústria, a greve também afetou a divulgação da pesquisa do índice de confiança do empresário realizada pela entidade. Com divulgação prevista para hoje, foi adiada para a próxima semana porque o número de questionários --respondidos pelos empresários e enviados pelos Correios- foi insuficiente para tabular os dados do levantamento.
Já a DHL Express registrou aumento de 114% no envio de remessas expressas, incluindo operações dentro e fora do país. Com 800 funcionários, a empresa atua no segmento de entregas porta-a-porta e atende 1.515 cidades do país.
A procura pelo serviço de motoboys também cresceu em até 40%, segundo o sindicato da categoria na capital. Na Lig Moto, no Paraíso, o número de empresas que demandaram mais serviços cresceu entre 25% a 30%. 'Se a greve continuar, teremos de contratar mais pessoal', diz Eduardo Matsumoto, gerente da Moto Expresso.
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