Dinheiro
17/07/2008 - 11h34

FMI revisa para cima PIB do Brasil, mas prevê desaceleração global acentuada

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VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online

Atualizada às 12h12

A economia global deve desacelerar de modo significativo no segundo semestre deste ano ao mesmo tempo em que a inflação deve registrar uma alta expressiva neste ano em relação ao ano passado tanto nos países emergentes quanto nos países ricos, segundo a revisão, divulgada nesta quinta-feira, do relatório "World Economic Outlook" ("Perspectiva Econômica Mundial") do FMI (Fundo Monetário Internacional), publicado em abril.

Segundo o documento, indicadores recentes sugerem "mais uma desaceleração da atividade [econômica] no segundo semestre de 2008". "Nos países desenvolvidos, a confiança dos consumidores e dos empresários continuou a diminuir, enquanto a produção industrial se enfraqueceu ainda mais."

Para 2008, a expectativa de crescimento global cresceu 0,4 ponto percentual (p.p.), para 4,1%; mesmo assim, o desempenho é bem mais fraco que o de 2007, quando a expansão foi de 5%. Para 2009, o índice também foi revisto para cima em 0,1 p.p., para 3,9%.

O Fundo destacou ainda que há sinais de enfraquecimento na atividade econômica em países emergentes, mas, para o Brasil, a projeção de crescimento agora é de 4,9% neste ano, contra uma estimativa de 4,8% no documento divulgado em abril (o relatório não explica quais fatores influenciaram na revisão para cima da expectativa de desempenho da economia brasileira). No boletim Focus, do Banco Central mantém previsão de crescimento de 4,8%. Já para 2009, a expectativa de crescimento do Brasil voltou para 4%, mesma divulgada em janeiro --em abril, o Fundo havia reduzido a expectativa para uma expansão de 3,7%.

A comparação entre o quarto trimestre do ano passado e a projeção para o mesmo período deste ano destaca ainda mais o desaquecimento econômico, diz o FMI: de 4,8%, o crescimento deve desacelerar para 3%. No quarto trimestre de 2009, a expansão econômica deverá ser de 4,3%.

EUA

A economia dos EUA deve ter expansão de 1,3% neste ano. Mesmo com a expressiva revisão de 0,8 p.p. para cima em relação ao previsto em abril, a economia crescerá 0,9 p.p. a menos que em 2007, quando o crescimento foi de 2,2%.

Segundo o FMI, a revisão reflete indicadores divulgados depois do relatório de abril --como o crescimento de 1% no primeiro trimestre deste ano, contra estimativas iniciais do Departamento do Trabalho dos EUA de 0,6% e 0,9%.

"Mesmo assim, a economia deve registrar uma contração moderada no segundo semestre deste ano, com a queda no consumo provocada pela alta do petróleo e dos alimentos e as condições mais restritas de crédito, antes de começar a se recuperar gradualmente em 2009", diz o texto.

Bric

Entre os Bric, Brasil e Índia tiveram as menores revisões para cima em suas projeções de crescimento (a da Índia também foi de 0,1 p.p.); a economia indiana, no entanto, deve crescer 8% neste ano e no próximo, segundo o FMI. A China deve crescer 9,7% neste ano (0,4 p.p. acima do previsto em abril), depois de expansões de 11,6% em 2006 e 11,9% em 2007. Para 2009, o crescimento deverá ser de 9,8% --0,3 p.p. acima da estimativa anterior.

A Rússia teve a maior revisão em suas expectativas de crescimento: 0,9 p.p., para 7,7% neste ano, e de 1 p.p., para 7,3% em 2009.

 

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