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Dinheiro
17/07/2008 - 18h53

Audiência de conciliação termina sem acordo entre grevistas e Correios

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FERNANDO ANTUNES
Colaboração para a Folha Online

Fracassou mais uma tentativa do presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Rider Nogueira de Brito, para encerrar a greve dos funcionários da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), que chegou nesta quinta-feira ao 17º dia de paralisação.

Em encontros separados com representantes dos trabalhadores e da empresa, Brito recebeu propostas diferentes de acordo para suspender a paralisação. Na terça-feira (15), o presidente sorteou o ministro Maurício Godinho Delgado para ser o relator do julgamento da ação de abusividade da greve.

O TST está em recesso jurídico e Godinho só irá avaliar o processo da greve dos Correios a partir de 1º de agosto. Enquanto isso, o fim da paralisação depende de um acordo entre as partes ou uma medida liminar do presidente do tribunal.

Greve

A paralisação começou com os funcionários reclamando que os Correios não fizeram a incorporação de 30% de adicional de periculosidade nos salários, negociação do plano de carreira e participação nos lucros, que estariam previsto no acordo firmado em novembro do ano passado e ratificado em abril deste ano.

Além disso, a categoria quer incluir na pauta de reivindicação a criação de uma força tarefa para colocar a entrega de correspondências em dia e os Correios não descontar os dias em greve.

A empresa afirma que o compromisso foi cumprido, com a adoção do plano de carreira e o pagamento de um adicional de R$ 260 já na folha deste mês.

Negociação

Os Correios apresentaram hoje uma proposta para os funcionários suspenderem a paralisação. Em ofício assinado pelo chefe do Departamento Jurídico da empresa, Wellington Dias da Silva, os Correios aceitam discutir alguns pontos do Plano de Cargos, Carreiras e Salários de 2008, com mediação do TST.

Além disso, a empresa pagaria, durante os meses de julho, agosto e setembro de 2008, abono emergencial de 30% do salário base dos carteiros. Sobre os dias parados, os Correios descontariam 50% e os outros 50% seriam compensados pelos grevistas. Além disso, se compromete a não retaliar os trabalhadores que aderiram a paralisação.

A Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) não concorda com a proposta e quer discutir todo plano de carreira, fixar os 30% como adicional de periculosidade para o carteiro e a empresar pagar 50% dos dias parados e os outros 50% seriam compensados pelos funcionários.

Adesão

A greve atinge 21 Estados mais o Distrito Federal e conta com a adesão de 18% do total dos trabalhadores --110 mil empregados-- e 27% dos carteiros --53 mil.

Segundo a empresa, 127 milhões de correspondências deixaram de ser entregues --das 390 milhões encaminhadas. Além disso, 360 mil encomendas também não chegaram a seus destinatários.

 

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