Empréstimo à Oi foge de padrão do Banco do Brasil
da Folha Online
A empresa de telefonia Oi se tornará o maior tomador de crédito do Banco do Brasil após o empréstimo de R$ 4,3 bilhões anunciado na última quarta-feira (16), informa Sheila D'Amorim na Folha desta sexta-feira (íntegra do texto restrita para assinantes do jornal e do UOL). O valor ultrapassa o limite normal de exposição a um único grupo econômico previsto na política de crédito do banco.
Segundo a reportagem, isso só será possível porque ela passará a integrar um segmento especial de empresas que a diretoria do BB considera estratégico para investir e, portanto, permite uma maior concentração de crédito.
Considerando os últimos dados disponíveis do balanço do BB, referente ao primeiro trimestre deste ano, o maior tomador de crédito, uma companhia pertencente ao setor de metalurgia e siderurgia cujo nome não foi divulgado, devia ao banco R$ 4,182 bilhões.
A operação com a Oi, que será usada para financiar a compra da Brasil Telecom uma vez que a lei a permita, atinge 4,1% dos R$ 104,574 bilhões emprestados a grandes empresas (com faturamento superior a R$ 90 milhões por ano) e 3,1% do volume global de empréstimos do banco.
Os R$ 4,3 bilhões também extrapolam o limite de 10% do patrimônio de referência do banco fixado pela diretoria do BB para operações com um mesmo grupo empresarial. O banco nega esse limite.
Negócio
Segundo comunicado enviado na última quarta-feira à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) pela Telemar Norte Leste, a captação a para compra da Brasil Telecom tem vencimento em oito anos e custo baseado no CDI, acrescido de 1,3% ao ano. O vencimento de encargos financeiros é semestral (de maio de 2010 a maio de 2016) e do principal, em sete prestações anuais a partir de maio de 2010.
A Oi e a Brasil Telecom aguardam a aprovação dos órgãos reguladores e as mudanças nas leis brasileiras para concretizar o negócio.
A operação de compra da Brasil Telecom pela Oi, anunciada em abril deste ano, pode chegar a R$ 12,3 bilhões, segundo o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, à época do anúncio da transação.
Segundo ele, além dos R$ 5,8 bilhões dispensados para adquirir controle direto e indireto, serão necessários, possivelmente, R$ 3,5 bilhões para as ofertas aos acionistas donos de ações ordinárias, conforme determina a lei, e mais R$ 3 bilhões para comprar ações preferenciais no mercado.
Conforme as empresas, todas as pendências envolvendo os sócios Citigroup e Opportunity, do empresário Daniel Dantas (envolvido na Operação Satiagraha, deflagrada na semana passada pela Polícia Federal), que eram o último empecilho na Brasil Telecom, foram resolvidas.
A reportagem está na edição da Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas.
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