Dinheiro
18/07/2008 - 11h41

UE propõe fundo de US$ 1,6 bilhão contra crise alimentar

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da France Presse
com Folha Online

A UE (União Européia) propôs nesta sexta-feira a criação de um fundo de emergência de 1 bilhão de euros (cerca de US$ 1,6 bilhão) para ajudar países pobres a combaterem a crise alimentar, que fez disparar os preços dos alimentos por conta da crescente demanda e falta de oferta. Pela idéia, o montante viria de dinheiro não utilizado pela PAC (Política Agrícola Comum) e seria distribuído em dois anos.

Vários países da UE, porém, devem se opor à idéia da Comissão Européia, pois alguns já manifestaram a intenção de usar o dinheiro para recuperar seus orçamentos nacionais.

Bruxelas adotou nesta sexta-feira uma proposta que prevê pegar 750 milhões de euros da PAC em 2008 e 250 milhões em 2009 para ajudar os países em desenvolvimento para aumentar a produção agrícola de países emergentes, principalmente pelo financiamento de sementes e fertilizantes.

Os comissários da Agricultura, Mariann Fischer Boel, e do Desenvolvimento, Louis Michel, divulgaram os detalhes da proposta. A Alemanha foi a primeira a criticar. "Não demos nossa última palavra sobre o assunto", avisou a chanceler alemã, Angela Merkel, em 8 de julho. Dinamarca, Áustria, Suécia e Holanda também fizeram críticas.

"Isto não deve se tornar regra, gastar a verba da agricultura para outros fins definidos pela Comissão", insistiu esta semana o ministro da Agricultura alemão, Horst Seehofer.

"O sistema europeu de navegação por satélite Galileu, que recebeu 1,6 bilhão de euros do excedente da PAC em 2007, foi uma exceção. Esta é a posição de todo governo alemão", acrescentou.

O excedente orçamentário europeu volta em geral aos orçamentos nacionais dos 27 países.

A presidência francesa da UE adotou por sua vez uma atitude de espera, sem dar seu apoio à Comissão. "Vamos estudar de modo construtivo esta iniciativa muito ambiciosa, muito importante e nova da Comissão", declarou terça-feira o ministro da Agricultura, Michel Barnier.

Até os deputados europeus, que normalmente apóiam a Comissão contra as vontades dos ministros de reduzir os orçamentos quaisquer que sejam, fizeram ressalvas sobre esta proposta. Principalmente sobre a distribuição de 1 bilhão de euros unicamente por intermédio de agências humanitárias internacionais.

Apesar de tudo, Bruxelas espera obter um acordo dos 27 e do Parlamento europeu até o mês de novembro, para que o dinheiro, prometido durante o G8 (reunião dos sete países mais ricos e Rússia) pelo presidente da Comissão José Manuel Barroso, seja efetivamente disponível no início de 2009.

Barroso destacou que o objetivo do fundo é ajudar principalmente as nações africanas e estabilizar os mercados de abastecimento. Segundo ele, sem a ajuda, será colocada em risco a meta da ONU (Organização das Nações Unidas) de reduzir pela metade a pobreza no mundo.

Comentários dos leitores
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Muito alarido, pelo diretor da FAO. ele está fazendo o seu papel. Agora... previsão para 2050 (daqui 40 anos). Será que esse diretor ou os especialistas se lembram do que seria necessário fazer, em 1968 em relação à fome no mundo? Em 40 anos, quais países ainda serão emergentes? É realmente problema de vontade política e de se ensinar e dar condições de "pescar" e não de dar o peixe já frito a esse segmento faminto da sociedade. Soluções estão à mostra a todo momento e para todo mundo. Uma delas é a transferência de tecnologia. Com tanta boa vontade que notamos em nossos líderes mundiais, não seria difícil um consórcio onde se ensinaria e proveria de boa infra-estrutura, de forma eficiente e eficaz, o cultivo, a produção, consumo de alimentos, erradicando a fome no mundo. Medidas nesses moldes não são para 2040, 2050 e sim pra já. A FAO deveria atuar em idéias semelhantes, em reunir nações realmente empenhadas em ajudar o povo faminto desse planeta e não em fazer considerações do que esse ou aquele País deve fazer. sem opinião
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O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
"Países emergentes precisam dobrar produção de alimentos até 2050..."
Aqui no Brasil, podem esquecer.
Sem chance...
Ao menos se continuarem os atos de organizações tipo MST, que invadem, destroem e queimam lavouras, com nossas autoridades assistindo á tudo, imersas no mais profundo e nojento silêncio constrangedor, não vai ter produção suficiente não.
Estamos deixando de ser uma nação do agronegócio, e nos tornando uma republiqueta especializada no "agroterror"...
4 opiniões
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Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Os paises ricos são uma piada mesmo. Enquanto eles destroem a Terra, querem que os paises emergentes alimentem aqueles que os ricos destroem. Devem os emergentes ajudar os pobres sim... mas os ricos deveriam e vão morrer de fome um dia. sem opinião
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