Uruguai planeja construção de térmica a carvão no Brasil
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O Uruguai pretende construir uma usina termelétrica movida a carvão dentro no Rio Grande do Sul, anunciou nesta sexta-feira o ministro Edison Lobão (Minas Energia), ao lado de seu colega uruguaio de pasta, Daniel Martinez. Com 350 MW (megawatts) de capacidade instalada, a unidade aproveitaria o carvão oriundo da mina de Candiota, e toda a energia será direcionada ao Uruguai. O Brasil não teria participação na usina.
Lobão negou que o país terá prejuízos ambientais com o empreendimento uruguaio. Segundo o ministro, o que mais polui em relação ao uso do carvão é o transporte da matéria-prima, e não sua utilização para a produção de energia. Questionado se o Brasil teria alguma contrapartida no negócio, Lobão disse que era uma "gentileza" do Brasil.
"Não haverá nada em troca. É uma questão de amizade entre países", afirmou, em coletiva na sede do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).
Brasil e Uruguai iniciam neste sábado um convênio de intercâmbio de energia elétrica. No início, serão enviados 72 MW diários produzidos por usinas hidrelétricas para o país vizinho, que mandará energia de volta assim que a produção de lá estiver mais folgada. A previsão é que o Brasil envie energia entre Maio e julho, com o Uruguai devolvendo nos três meses seguintes.
O Uruguai já importa volume semelhante do Brasil, mas não há devolução. Os uruguaios pagam por energia gerada em usinas termelétricas, que tem custo maior. O acordo irá vigorar, segundo Lobão, pelo "tempo que for necessário".
"Deixaremos de pagar pela energia das termelétricas. Atualmente, enfrentamos problemas na geração das usinas do Rio Negro", observou o ministro uruguaio.
O Brasil tem acordo semelhante com a Argentina. Desde maio, o Brasil vinha enviando entre 800 MW e 1.000 MW diários. Com a melhora no sistema argentino, essa energia começou a ser devolvida antes do prazo previsto.
"A Argentina está devolvendo cerca de 1.800 MW. Em dez dias, já voltou praticamente 1/3 do que enviamos para lá, antes do prazo, que se iniciava em setembro", explicou Lobão.
O ministro brasileiro ressaltou que pretende estender acordos semelhantes a outros países da América do Sul. Uma das intenções é ampliar a troca de energia com a Venezuela, com a construção de uma linha entre Manaus (AM) e o país governado por Hugo Chávez. Atualmente, o Brasil recebe 250 MW do sistema que vai até Boavista (RR). Uma nova linha integraria a Venezuela a Manaus, que será conectada ao trecho que ligará a região Norte ao resto do país.
"Teríamos capacidade de receber até 3 mil MW da Venezuela, e até mesmo levar a outros países", comentou Lobão.
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