EUA dizem poder oferecer mais, mas pedem contrapartida de emergentes
da Reuters
da Folha Online
Os EUA estão prontos para para garantir o sucesso de um novo acordo global de comércio, dentro da Rodada Doha, da OMC (Organização Mundial do Comércio) mas disse que países emergentes como Brasil, Índia e China também precisam fazer sua parte, disse nesta segunda-feira a representante comercial dos EUA, Susan Schwab.
"Sabemos que teremos de fazer mais contribuições, além das muitas que já colocamos sobre a mesa", disse Schwab, no primeiro dia da retomada das negociações da rodada, em, Genebra (Suíça). Brasil, Índia e China, no entanto, precisam abrir seus mercados agrícolas, manufatureiros e de serviços para os outros países, acrescentou. "Esperamos ver contribuições dos outros."
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O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, disse que um acordo nesta semana seria visto como um sinal positivo para os mercados financeiros globais, abalados pelas crises imobiliária, hipotecária e de crédito nos EUA.
"[Um acordo] nessas circunstâncias poderia oferecer um forte impulso para estimular o crescimento econômico, oferecendo perspectivas melhores para o desenvolvimento e garantindo um sistema comercial mais estável e previsível", disse o porta-voz da OMC, Keith Rockwell. Segundo ele, ainda não houve sinais claros de mudança por parte dos participantes das negociações, mas isso é normal nesse estágio da reunião.
Entre os membros dos países da organização presentes à reunião de hoje, no entanto, foram manifestadas divergências. "Estamos olhando para alguns milhões de fazendeiros nos países ricos (...) contra centenas de milhões de agricultores que plantam para subsistência", disse o representante indiano do Ministério do Comércio do país, Gopal Pillai. "Não temos muito espaço para compromissos porque se trata de uma preocupação com a sobrevivência, não com a preservação da prosperidade de fazendeiros ricos."
As propostas apresentadas na OMC recentemente exigem, que os EUA reduzam o teto dos subsídios atualmente pagos ao setor agrícola, US$ 48,2 bilhões, para um valor entre US$ 13 bilhões e US$ 16,4 bilhões. A ministra do Comércio da Indonésia, Mari Pangestu, disse que os países em desenvolvimento haviam proposto um teto de US$ 12 bilhões.
União Européia
A União Européia (UE) pode mostrar disposição semelhante, reduzindo em 60% suas tarifas aduaneiras sobre produtos agrícolas, contra os 54% que já haviam sido anunciados, disse hoje Peter Power, porta-voz do comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson. "É um avanço bastante considerável (...) É uma melhora substancial, que deve dar impulso importante às discussões em Genebra nesta semana."
O projeto de acordo preparado pelo mediador para a agricultura na OMC, Crawford Falconer, determina que os direitos aduaneiros mais elevados devem ter as maiores reduções, até chegar a uma baixa de 54% em média para os países industrializados. Para atenuar o efeito da baixa, os países desenvolvidos poderão definir entre 4% e 6% de produtos "sensíveis" do total de suas linhas tarifárias (produtos de importação).
A França, no entanto, mostra mais resistência em abrir seu mercado agrícola. A secretária de Estado francesa para o Comércio, Anne-Marie Idrac, disse que a UE já esgotou suas margens de manobra no plano agrícola e que os europeus não podem ir mais longe neste domínio --o presidente da França, Nicolas Sarkozy, ocupa também a presidência rotativa da UE.
Mandelson considera que as negociações sobre a liberalização do comércio mundial estão em "um momento decisivo" e os países emergentes devem fazer "esforços reais" na questão industrial. "Como todos sabemos, a janela da oportunidade política fechará depois do verão" (devido à aproximação das eleições presidenciais nos Estados Unidos), advertiu Mandelson nesta segunda-feira.
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