Amorim diz que primeiro dia de negociações na OMC foi "totalmente inútil"
da Folha Online
com France Presse, em Genebra
Atualizada às 17h44
O primeiro dia de negociações sobre a liberalização do comércio mundial no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio) foi "totalmente inútil", afirmou nesta segunda-feira em Genebra o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Começou formalmente hoje uma reunião entre 35 países-chave dos 153 Estados-membros da OMC para tentar destravar as negociações da Rodada Doha.
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"Sem surpresas, mas também sem idéias. Estamos no mesmo ponto anterior da reunião", afirmou Amorim ao final do primeiro dia do encontro, um dos únicos em que representantes de todos os países envolvidos estarão presentes.
"Talvez tenha sido uma reunião necessária, era preciso fazê-la, mas realmente e totalmente inútil do meu ponto de vista, porque não ouvi nenhuma idéia nova, nenhuma sugestão. Esperemos amanhã", afirmou.
| Efe |
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| Chanceler brasileiro, Celso Amorim, e representante dos EUA, Susan Schwab |
A Rodada Doha está polarizada entre os pedidos dos países emergentes, por um maior acesso aos mercados agrícolas dos países ricos, e os dos Estados Unidos e Europa, que pretendem maior abertura para suas exportações de produtos industrializados.
A representante de comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, foi mais positiva ao comentar o primeiro dia de discussões. "Alguns países começaram a falar realmente do que podemos fazer, centralizando-se no que podem fazer e no que não podem", declarou.
Mal-estar
Mais cedo, Schwab desfez a imagem de que o comentário de Amorim sobre o chefe da propaganda nazista, Joseph Goebbels, serviria para desviar a atenção do foco, que é a retomada das negociações da Rodada Doha.
Comentário: Declaração infeliz expõe má vontade em negociar
"Esta não é a hora nem a semana para cair de novo em retórica ultrapassada --destinada a perpetuar velhas divisões e criar outras novas", disse Schwab, durante entrevista no primeiro dia da retomada das negociações da Rodada Doha de liberalização do comércio mundial. "Estamos esperando para ver contribuições de outros, inclusive dos mercados emergentes mais significativos" para que se chegue a uma conclusão bem sucedida da rodada, afirmou.
No último sábado (19), Amorim comparou a resistência dos países ricos em negociar com a atitude do chefe da propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels --o ministro lembrou que, em sua estratégia, Goebbels dizia que uma mentira contada muitas vezes acaba sendo aceita como verdade.
Schwab --que é descendente de sobreviventes do holocausto-- foi a primeira a reagir, através de seu porta-voz Sean Spicer. Ela disse que "no momento em que tentamos encontrar um resultado bem sucedido para as negociações, esse tipo de declaração é altamente infeliz". "Para alguém que é ministro de Relações Exteriores, ele devia estar mais atento para alguns pontos sensíveis". Spícer ainda afirmou: "[Amorim] fazer declarações desse tipo é incrivelmente errado. Elas são insultuosas."
Amorim pediu desculpas ontem mesmo pela declaração, mas sustentou que "repetir uma distorção faz com que as pessoas acreditem que ela é a verdade".
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Celso Amorin tá mau hein? Pede pra sair!
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Nisso pelo menos a Argentina, mesmo com mil problemas, está mil anos na nossa frente.
Comparem a história da política externa brasileira com a da Argentina. Eles sempre foram mais resistentes, enquanto nós, ou melhor, nossas elites, sempre mais vendidas.
Vocês já leram "Germinal", de Émile Zola, escrito na efervescência econômica e social francesa?Pois bem, o patrão tentava negociar com os trabalhadores seus salários. Sempre na posição do mais forte, tentava justificar que "sua posição" era benéfica para o mundo dos negócios. Era melhor os trabalhadores aceitarem as propostas ao perder o emprego.
No meio dos trabalhadores havia um líder, esperto e forte. O patrão, assim q percebeu q o líder era uma ameaça passou a cooptá-lo. O líder virou capataz em troca de merrecas e tentava convencer os colegas era melhor ceder do que lutar.
O Brasil faz a mesma coisa. Engana os países vizinhos, pois sabe que ele, por ser o mais forte da região, será o menos prejudicado. Da mesma forma, se vende com facilidade aos interesses dos EUA, na tentativa de ganhar algo com isso. [2]
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