Vale e Petrobras garantem alta da Bovespa
YGOR SALLES
da Folha Online
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou seu pregão desta segunda-feira com alta, sustentada pelos ganhos das ações das suas "blue chips" (ações mais negociadas), Vale e Petrobras.
Porém, os ganhos foram limitados pelo dia negativo em Wall Street. As Bolsas americanas recuam devido a más notícias corporativas e ao aumento do preço do petróleo.
O Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista, subiu 1,31%, aos 60.771 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,1 bilhões, com cerca de 205 mil negócios realizados. O giro foi inflado pelo vencimento do exercício de opções de ações, que movimentou R$ 658 milhões.
Já o dólar comercial recuou 0,69%, e fechou vendido a R$ 1,578. Trata-se da menor cotação para a moeda americana desde 19 de janeiro de 1999, quando ocorreu a maxidesvalorização do real.
Vale e Petrobras atraíram o investidor devido aos seus preços mais baixos. Na semana passada, tiveram recuos entre 6% e 9% --fruto de correções geradas pela queda do preço das commodities, no caso das duas empresas, e de uma oferta de ações com baixa procura, no caso específico da Vale.
"Hoje as commodities voltaram a subir, e os investidores aproveitaram que as ações da Vale e da Petrobras estavam baratas", explicou Miguel Daoud, analista da Global Financial Advisor. "O mesmo raciocínio valeu para as siderúrgicas."
O ganho maior entre as "blue chips" foi registrado pelos papéis ordinários da mineradora, que subiram 3,67%. Já as preferenciais classe A ganharam 3,08%. As ações da Petrobras, por sua vez, subiram 2,21% (ordinárias) e 1,46% (preferenciais).
"É normal que, de vez em quando, tenhamos pregões mais otimistas ou pessimistas do que as das Bolsas americanas. Hoje foi um dos dias otimistas", disse Daoud.
O mercado americano se retraiu devido ao adiamento para depois do fechamento de mercado das divulgações dos resultados das gigantes farmacêuticas Merck e Schering-Plough. O adiamento foi causado por uma pesquisa mostrando que um remédio desenvolvido pelas duas empresas contra o colesterol, o Vytorin, não tem efeito.
Os analistas, que já esperam resultados ruins das duas empresas devido ao remédio, ficaram ainda mais tensos com o adiamento. Os papéis da Schering-Plough recuaram 11,61%, e os da Merck perderam 6,24%.
Além disso, o petróleo fechou em alta em Nova York. Na Nymex (New York Mercantile Exchange), o barril de WTI para entrega em setembro avançou 1,68%, para US$ 131,04.
O índice Dow Jones fechou com queda de 0,25%, enquanto que o Nasdaq Composite perdeu 0,14%.
Os bancos, ao menos desta vez, não foram os responsáveis pelo mau humor em Wall Street. O Bank of America, segundo maior banco dos EUA, anunciou lucro de US$ 3,41 bilhões no segundo trimestre, 41% a menos do que no mesmo período de 2007. Apesar da queda, o resultado foi melhor do que o esperado pelos analistas. O lucro por ação foi de US$ 0,72, enquanto que era esperado lucro de US$ 0,53 por ação.
Os resultados positivos dos bancos animam os investidores porque indicam que eles não têm mais prejuízos a revelar relacionados ao crédito imobiliário de alto risco ("subprime"), que é o cerne da atual crise financeira nos Estados Unidos.
Porém, essa animação pode ser revertida amanhã, quando o Wachovia, quarto maior banco dos Estados Unidos, apresenta seu resultado trimestral.
Outro motivo de preocupação dos investidores para amanhã e quarta-feira é a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que define a nova taxa básica de juros, a Selic. A maioria dos analistas espera por alta de 0,5 ponto percentual, segundo o relatório semanal Focus, mas não está descartado um aperto maior, de 0,75 ponto. Caso a segunda opção prevaleça, a tendência é de aumentar a turbulência no mercado acionário brasileiro.
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