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Dinheiro
22/07/2008 - 09h00

Mercado aposta em alta de 0,5 ponto para a Selic, mas não descarta aperto maior

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YGOR SALLES
da Folha Online

O mercado financeiro aposta que o Banco Central deverá manter o ritmo da correção dos juros e elevará a taxa Selic em 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Econômica), que começa hoje e se encerra na quarta-feira. Com isso, a Selic passaria de 12,25% ao ano para 12,75% ao ano.

Porém, a previsão cada vez maior para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o índice que baliza a meta de inflação do governo federal, faz com que o mercado não descarte a possibilidade da Selic subir em um ritmo ainda maior, a 0,75 ponto percentual.

Caso o BC suba os juros, será a terceira alteração seguida para cima. Em cada uma das duas últimas reuniões do Copom, realizadas em abril e junho, a Selic foi elevada em 0,5 ponto percentual.

A Selic tem impacto sobre o custos dos empréstimos para consumidores e empresas. Quando o governo está preocupado com a inflação, tende a elevar os juros para desestimular consumo e investimentos, de modo a "esfriar" a atividade econômica.

Segundo a pesquisa semanal Focus, realizada pelo próprio BC junto às 100 principais instituições financeiras do país, a alta será de 0,5 ponto percentual. Também apostam que, ao final do ano, a Selic estará em 14,25% --ou seja, deverá subir, além do 0,5 ponto amanhã, mais 1,5 ponto nas reuniões que restam em 2008. Serão mais três: 9 e 10 de setembro, 28 e 29 de outubro e 9 e 10 de dezembro.

"Esperamos que o BC mantenha o ritmo de alta na taxa Selic em 0,5 ponto, elevando a taxa Selic para 12,75%, mas mantendo a sinalização de que o ciclo de aperto monetário pode ser mais longo, em função da piora no cenário prospectivo para a inflação", disse o economista-chefe da corretora Concórdia, Elson Teles.

Para ele, um aperto maior na política monetária não é necessário. "Apesar de ter havido alguma piora no cenário para a inflação que ainda não estava incorporada nas projeções do relatório de inflação [IPCA mais elevado em junho e aumento das expectativas futuras], acreditamos que não houve alteração relevante no perfil de riscos que implicasse modificação do cenário prospectivo básico traçado para a inflação pelo Copom desde então", explicou.

Mas essa não é uma opinião unânime no mercado. Para o conselheiro econômico da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito Financiamento e Investimento), Istvan Kasznar, a alta será de 0,75 ponto. "É preciso, mesmo que doa a curto prazo e volte a comprovar seus benefícios a médio e longo prazos, reduzir e quase zerar a taxa de expansão da moeda."

Essa opinião é balizada pelo risco considerado cada vez maior do IPCA neste ano superar o teto da meta de inflação do governo federal. A meta é de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos percentuais para baixo ou para cima. Segundo o relatório Focus, o mercado já espera que a taxa oficial de inflação feche o ano em 6,53%.

"A inflação do segundo semestre vai piorar ainda mais. O preço do petróleo está defasado em cerca de 30%, e uma hora a Petrobras terá que se mexer", profetiza Miguel Daoud, analista da Global Financial Advisor. "Além disso, o IGP de hoje é o IPCA de amanhã, o que faz a meta de 2009 já estar comprometida."

O IGP (Índice Geral de Preços) tem no atacado seu maior peso --ou seja, de certa forma antecipa o IPCA, um índice mais focado no consumidor final. Segundo a segunda prévia de julho do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), divulgada ontem, o índice acumula alta de 8,53% no ano e, nos últimos 12 meses, já subiu 15,15%.

"Tem que dar um choque de juros agora, para que em 2009 tenhamos mais tranquilidade", disse Daoud.

O próprio presidente do BC, Henrique Meirelles, disse estar ciente desse perigo --o que ajuda o mercado a pensar em uma elevação mais ousada nos juros. "Os preços no atacado estão subindo, o BC e o governo estão tomando medidas para evitar que, em uma economia muito aquecida, haja repasse dos preços do atacado para o varejo", disse na semana passada, em depoimento na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.

 

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