Amorim aprova iniciativa dos EUA de reduzir subsídios agrícolas, mas pede mais
da France Presse, em Genebra
da Folha Online
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira, em Genebra, que a oferta dos Estados Unidos de reduzir os subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões demonstra o "compromisso" de Washington com as negociações para a liberalização do comércio mundial, mas pediu mais ambição para concluir o acordo na OMC (Organização Mundial do Comércio).
A proposta feita pela representante americana do Comércio, Susan Schwab, "mostra o compromisso dos EUA com a negociação, mas com um baixo nível de ambição", afirmou Amorim à imprensa, em Genebra, onde ontem começou reunião para destravar a Rodada Doha.
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Schwab anunciou que seu país está disposto a reduzir os subsídios agrícolas que distorcem os fluxos comerciais a US$ 15 bilhões, melhorando sua oferta anterior de US$ 17 bilhões. "Em troca de um acesso ambicioso aos mercados, estamos prontos para reduzir nosso apoio interno que distorce o comércio a US$ 15 bilhões", afirmou.
| Tomasz Surdel/Efe |
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| Ministro das Relações Experior, Celso Amorim, elogiu proposta, mas pediu mais |
"É um passo muito importante, que damos de boa fé, à espera das propostas dos outros", afirmou a funcionária, referindo-se aos pedidos de Estados Unidos, e também União Européia, por um acesso maior a seus produtos industriais nos países em desenvolvimento.
Schwab apresentou a iniciativa como contribuição para o desbloqueio da Rodada Doha, que já dura sete anos. Em contrapartida, pediu concessões dos países em desenvolvimento no que diz respeito às tarifas aplicadas sobre os produtos industriais. É justamente essa guerra de taxas que trava as conversas.
Mais cedo, um membro da delegação brasileira, sem se identificar, afirmou que a iniciativa era boa, mas a soma dos subsídios concedidos pelo governo americano a seus agricultores ainda é "muito elevada".
O responsável lembrou que o G20 (formado por países emergentes) exigiu que os EUA limitassem seus subsídios agrícolas a US$ 12 bilhões. Em Genebra, o texto em discussão sugere que estes subsídios fiquem entre US$ 13 bilhões e US$ 16,4 bilhões.
Atualmente, o limite dos EUA para as subvenções à agricultura é de US$ 48 bilhões, mas a representante americana reconheceu que nunca foi desembolsada essa quantia. Por outro lado, ela disse que há cerca de cinco anos essas ajudas alcançaram US$ 24 bilhões. Nos Estados Unidos, os subsídios são calculados em função da diferença entre as cotações mundiais e os preços pagos aos agricultores.
A UE (União Européia) considerou, por sua vez, que a proposta de Schwab é razoável nesta etapa das negociações, mas que os EUA podem ir mais longe.
"Os EUA não chegaram com essa proposta o mais longe que poderia, mas assumimos que isso dependerá das negociações que restam e que se alcance um equilíbrio nos outros setores sobre os quais estamos discutindo neste momento", disse Power, porta-voz do comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson.
| Salvatore Di Nolfi/AP |
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| A representante dos Estados Unidos, Susan Schwab, que propôs subsídios de US$ 15 bi |
A União Européia pode mostrar disposição semelhante, reduzindo em 60% suas tarifas aduaneiras sobre produtos agrícolas, contra os 54% que já haviam sido anunciados, disse ontem Power. "É um avanço bastante considerável (...) É uma melhora substancial, que deve dar impulso importante às discussões em Genebra nesta semana."
Impasse
Além das divergências sobre os subsídios agrícolas, a reunião de Genebra pode fracassar pela ausência do ministro indiano Kamal Nath, de um dos quatro principais negociadores.
Atrasado por um voto de confiança que ameaçava nesta terça-feira a sobrevivência do governo indiano, o ministro do Comércio e da Indústria deve chegar somente quarta-feira a Genebra, onde os ministros de 35 países estão reunidos para tentar concluir as negociações da Rodada Doha.
Totalmente inútil
Celso Amorim disse ontem, primeiro dia da retomada das negociações, que a primeira sessão de trabalho foi "totalmente inútil". "Sem surpresas, mas também sem idéias. Estamos no mesmo ponto anterior da reunião", afirmou.
Schwab foi mais positiva ao comentar o primeiro dia de discussões. "Alguns países começaram a falar realmente do que podemos fazer, centralizando-se no que podem fazer e no que não podem", declarou.
Comentário: Declaração infeliz expõe má vontade em negociar
O primeiro dia também foi marcado pelas críticas da representante comercial americana, Susan Schwab, feitas ao comentário de Amorim, que no sábado (19) comparou a resistência dos países ricos em negociar com a atitude do chefe da propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels. O ministro lembrou que, em sua estratégia, Goebbels dizia que uma mentira contada muitas vezes acaba sendo aceita como verdade.
Mais cedo, ela desfez a imagem de que o comentário de Amorim sobre o chefe da propaganda nazista, Joseph Goebbels, serviria para desviar a atenção do foco, que é a retomada das negociações da Rodada Doha. "Esta não é a hora nem a semana para cair de novo em retórica ultrapassada --destinada a perpetuar velhas divisões e criar outras novas", disse. "Estamos esperando para ver contribuições de outros, inclusive dos mercados emergentes mais significativos" para que se chegue a uma conclusão bem sucedida da rodada, afirmou.
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