Dinheiro
22/07/2008 - 14h29

Amorim aprova iniciativa dos EUA de reduzir subsídios agrícolas, mas pede mais

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da France Presse, em Genebra
da Folha Online

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira, em Genebra, que a oferta dos Estados Unidos de reduzir os subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões demonstra o "compromisso" de Washington com as negociações para a liberalização do comércio mundial, mas pediu mais ambição para concluir o acordo na OMC (Organização Mundial do Comércio).

A proposta feita pela representante americana do Comércio, Susan Schwab, "mostra o compromisso dos EUA com a negociação, mas com um baixo nível de ambição", afirmou Amorim à imprensa, em Genebra, onde ontem começou reunião para destravar a Rodada Doha.

Saiba mais sobre a OMC e a Rodada Doha

Schwab anunciou que seu país está disposto a reduzir os subsídios agrícolas que distorcem os fluxos comerciais a US$ 15 bilhões, melhorando sua oferta anterior de US$ 17 bilhões. "Em troca de um acesso ambicioso aos mercados, estamos prontos para reduzir nosso apoio interno que distorce o comércio a US$ 15 bilhões", afirmou.

Tomasz Surdel/Efe
Ministro das Relações Experior, Celso Amorim, elogiu proposta, mas pediu mais
Ministro das Relações Experior, Celso Amorim, elogiu proposta, mas pediu mais

"É um passo muito importante, que damos de boa fé, à espera das propostas dos outros", afirmou a funcionária, referindo-se aos pedidos de Estados Unidos, e também União Européia, por um acesso maior a seus produtos industriais nos países em desenvolvimento.

Schwab apresentou a iniciativa como contribuição para o desbloqueio da Rodada Doha, que já dura sete anos. Em contrapartida, pediu concessões dos países em desenvolvimento no que diz respeito às tarifas aplicadas sobre os produtos industriais. É justamente essa guerra de taxas que trava as conversas.

Mais cedo, um membro da delegação brasileira, sem se identificar, afirmou que a iniciativa era boa, mas a soma dos subsídios concedidos pelo governo americano a seus agricultores ainda é "muito elevada".

O responsável lembrou que o G20 (formado por países emergentes) exigiu que os EUA limitassem seus subsídios agrícolas a US$ 12 bilhões. Em Genebra, o texto em discussão sugere que estes subsídios fiquem entre US$ 13 bilhões e US$ 16,4 bilhões.

Atualmente, o limite dos EUA para as subvenções à agricultura é de US$ 48 bilhões, mas a representante americana reconheceu que nunca foi desembolsada essa quantia. Por outro lado, ela disse que há cerca de cinco anos essas ajudas alcançaram US$ 24 bilhões. Nos Estados Unidos, os subsídios são calculados em função da diferença entre as cotações mundiais e os preços pagos aos agricultores.

A UE (União Européia) considerou, por sua vez, que a proposta de Schwab é razoável nesta etapa das negociações, mas que os EUA podem ir mais longe.

"Os EUA não chegaram com essa proposta o mais longe que poderia, mas assumimos que isso dependerá das negociações que restam e que se alcance um equilíbrio nos outros setores sobre os quais estamos discutindo neste momento", disse Power, porta-voz do comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson.

Salvatore Di Nolfi/AP
A representante dos Estados Unidos, Susan Schwab, que propôs subsídios de US$ 15 bi
A representante dos Estados Unidos, Susan Schwab, que propôs subsídios de US$ 15 bi

A União Européia pode mostrar disposição semelhante, reduzindo em 60% suas tarifas aduaneiras sobre produtos agrícolas, contra os 54% que já haviam sido anunciados, disse ontem Power. "É um avanço bastante considerável (...) É uma melhora substancial, que deve dar impulso importante às discussões em Genebra nesta semana."

Impasse

Além das divergências sobre os subsídios agrícolas, a reunião de Genebra pode fracassar pela ausência do ministro indiano Kamal Nath, de um dos quatro principais negociadores.

Atrasado por um voto de confiança que ameaçava nesta terça-feira a sobrevivência do governo indiano, o ministro do Comércio e da Indústria deve chegar somente quarta-feira a Genebra, onde os ministros de 35 países estão reunidos para tentar concluir as negociações da Rodada Doha.

Totalmente inútil

Celso Amorim disse ontem, primeiro dia da retomada das negociações, que a primeira sessão de trabalho foi "totalmente inútil". "Sem surpresas, mas também sem idéias. Estamos no mesmo ponto anterior da reunião", afirmou.

Schwab foi mais positiva ao comentar o primeiro dia de discussões. "Alguns países começaram a falar realmente do que podemos fazer, centralizando-se no que podem fazer e no que não podem", declarou.

Comentário: Declaração infeliz expõe má vontade em negociar

O primeiro dia também foi marcado pelas críticas da representante comercial americana, Susan Schwab, feitas ao comentário de Amorim, que no sábado (19) comparou a resistência dos países ricos em negociar com a atitude do chefe da propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels. O ministro lembrou que, em sua estratégia, Goebbels dizia que uma mentira contada muitas vezes acaba sendo aceita como verdade.

Mais cedo, ela desfez a imagem de que o comentário de Amorim sobre o chefe da propaganda nazista, Joseph Goebbels, serviria para desviar a atenção do foco, que é a retomada das negociações da Rodada Doha. "Esta não é a hora nem a semana para cair de novo em retórica ultrapassada --destinada a perpetuar velhas divisões e criar outras novas", disse. "Estamos esperando para ver contribuições de outros, inclusive dos mercados emergentes mais significativos" para que se chegue a uma conclusão bem sucedida da rodada, afirmou.

 

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