Dinheiro
22/07/2008 - 18h53

Lobão contraria Minc e diz que ainda não há solução para lixo nuclear

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LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

Apesar de o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) ter anunciado que a licença prévia para a usina de Angra 3 exigirá, entre outras coisas, a solução definitiva para a destinação do lixo nuclear, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse que tal solução ainda não foi encontrada no mundo inteiro. Ele informou que, a exemplo de Angra 1 e 2, o lixo nuclear de Angra 3 será armazenado até que os cientistas encontrem uma solução para os resíduos.

"É claro que isso é suficiente. O meio ambiente não pode pedir uma solução que não existe ainda. Uma solução definitiva é não jogar o lixo no meio do rio e sim guardá-lo adequadamente, que é o que se está fazendo com Angra 1 e Angra 2. O Brasil não está fazendo nada inferior ou superior ao que se faz com as 440 usinas nucleares espalhadas pelo mundo inteiro", disse o ministro, após reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).

Mais cedo, o ministro Minc anunciou que a licença prévia para Angra 3 será concedida amanhã, condicionada a "exigências brutais". Além da questão do lixo nuclear, o documento pedirá que a Eletronuclear, responsável pela construção da usina, contrate uma empresa independente para o monitoramento da radiação, resolva os problemas de saneamento básico da cidade de Angra dos Reis e Paraty (ambas no Rio de Janeiro) e adote o Parque Nacional da Serra da Bocaina (nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo).

Segundo Lobão, a França está desenvolvendo uma tecnologia que possibilitará a reutilização do lixo nuclear, o que poderá ser seguido pelo resto do mundo.

"Todos os países que têm usinas nucleares guardam provisoriamente [o lixo] na expectativa de amanhã vir a utilizar esse lixo, que é o que a França está fazendo".

Bahia

Lobão disse ainda que o governador da Bahia, Jaques Wagner, pediu que uma ou duas usinas nucleares sejam construídas em seu Estado.

"É um pedido dele que será levado em boa conta", afirmou.

De acordo com o ministro, o plano do governo é construir outras quatro térmicas nucleares e, em seguida, uma térmica a cada ano até um total de 60 mil MW em 50 anos.

 

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