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Reichstul, ex-Petrobras, vai dirigir reforma nas Organizações Globo
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O ex-presidente da Petrobras Henri Philippe Reichstul foi contratado para comandar o processo de reestruturação das Organizações Globo. Reichstul vai assumir a presidência da Globopar, "com amplos poderes dados pelos acionistas para essa reestruturação", segundo nota divulgada na noite de ontem pela empresa.
As Organizações Globo estão divididas em quatro grandes operações: a TV Globo, o Sistema Globo de Rádio, a Infoglobo (jornais) e a Globopar, que controla as participações da família Marinho em outros negócios.
Estão sob o guarda-chuva da Globopar o Projac (central de produção de televisão), TV paga (Sky), Globo.com (internet), editoras, gravadoras, Globo Cabo (TV paga, Net, e transmissão de dados), entre outras empresas.
Segundo a Folha apurou, Reichstul será encarregado de resolver os problemas financeiros de algumas empresas da Globopar. Os negócios de TV, rádio e jornais continuam sob o controle direto da família Marinho. A Globo Cabo, a maior operadora de TV a cabo do país, e a Globo.com devem ser as primeiras empreitadas financeiras de Reichstul.
Em dezembro, a Globo Cabo negociava os pontos finais de um acordo de renegociação de sua dívida de curto prazo com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Segundo informações do mercado, a renegociação com o BNDES era parte de um esforço da Globo Cabo para alongar ao máximo todas as suas dívidas de curto prazo, que somavam, em 30 de setembro, R$ 633,17 milhões. Nos nove primeiros meses do ano passado, o prejuízo da empresa foi de R$ 659,5 milhões.
Há duas semanas, a Telecom Italia anunciou que havia reavaliado as ações que detêm na Globo.com "para zero". Em junho de 2000, a Telecom Italia pagou US$ 810 milhões por 30% da Globo.com. No balanço de 2001, os italianos desvalorizaram contabilmente os papéis em US$ 792 milhões.
Quarentena
Antes de aceitar o convite dos Marinho, Reichstul consultou Piquet Carneiro, presidente da Comissão de Ética Pública do governo federal. O economista e banqueiro presidiu a Petrobras de março de 1998 até 2 de janeiro passado.
Pelas normas do Código de Conduta da Alta Administração Federal, ele, a princípio, seria obrigado a permanecer de quarentena durante quatro meses após deixar o cargo.
Segundo Carneiro, Reichstul foi dispensado da quarentena por ter aceito um emprego em ramo de negócios diferente daquele em que atuava quando no serviço público.
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