Bush retira oposição a projeto de lei para ajuda a setor imobiliário
da Folha Online
A Casa Branca informou nesta quarta-feira que o presidente americano, George W. Bush, retirou sua oposição ao pacote de ajuda ao setor imobiliário, preparado pelo Senado e pela Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados), que inclui o auxílio às duas gigantes do setor hipotecário, a Fannie Mae e a Freddie Mac.
A mudança de opinião de Bush foi comunicada pela porta-voz da Casa Branca, Dana Perino. "Acreditamos que essa não é a hora para uma disputa prolongada sobre vetos", disse. Além da ajuda às duas empresas, o pacote deve oferecer uma revisão na supervisão de ambas e permitir que o governo garanta até US$ 300 bilhões em hipotecas refinanciadas. Bush se opunha ao pacote dizendo que ele iria ajudar banqueiros e financiadoras, e não os mutuários com dificuldades em quitar suas dívidas.
O pacote permitirá às duas empresas a adquirir financiamentos imobiliários de até US$ 625 mil, um valor menor que o que pretendiam os deputados democratas, mas maior que o que pretendiam os senadores. As duas companhias hipotecárias também passariam a ter mais controle sobre os pagamentos dos altos executivos de ambas.
O secretário do Tesouro, Henry Paulson, disse que seria fácil para ele recomendar ao presidente que apóie a aprovação do pacote, mesmo que se oponha a algum detalhe. "Estou, como se pode imaginar, satisfeito em ver que o Senado e a Casa tenham chegado a um acordo", disse Paulson. Ele acrescentou que "é muito importante para os mercados de capitais em geral e para a confiança nessas instituições]", referindo-se às duas empresas hipotecárias.
O secretário já havia afirmado ontem que a estabilidade da Fannie Mae e da Freddie Mac é crucial para reduzir a incerteza nos mercados financeiros dos EUA e abrir caminho para a recuperação econômica do país. Ele disse ainda que o Congresso precisa aprovar o aumento das linhas de crédito à disposição das duas empresas --o atual montante de créditos disponível para as duas sociedades é de cerca de US$ 2,250 bilhões, valor fixado pelo Congresso americano há quase 40 anos. As duas empresas garantem hipotecas no valor de US$ 5,3 trilhões.
Na semana passada, Bush pediu ao Congresso rapidez na aprovação de leis para ajudar as duas empresas, mas acrescentou que "não acha que o governo deveria se envolver em intervenções de companhias".
O pacote deve ir a votação hoje. O Escritório Orçamentário do Congresso informou ontem que uma medida temporária para ajudar a Fannie Mae e a Freddie Mac custaria US$ 25 bilhões. O plano dos congressistas inclui ainda um programa de US$ 4 bilhões para iniciativas próprias de cada Estado para reabilitar imóveis cujas hipotecas tenham sido executadas.
A expectativa é de que o pacote seja aprovado com facilidade na Casa e que o Senado acompanhe a decisão dos deputados.
"Ninguém nos EUA irá concordar com tudo que está nessa lei, mas acho que um número suficiente de pessoas a julgará aceitável, e assim irá para a mesa do presidente para ser assinada", disse o presidente do Comitê da Casa para Serviços Financeiros, Barney Frank, segundo o diário americano "The Wall Street Journal". O presidente do Comitê Bancário do Senado, Christopher Dodd, e o senador Richard Shelby disseram, em um comunicado conjunto, que estão "otimistas sobre a lei". O Senado deve votar ainda nesta semana.
Leia mais
- Ajuda a empresas hipotecárias é crucial para estabilizar mercado, diz Paulson
- Economia americana enfrenta "inúmeras dificuldades", diz Fed
- Fed e Tesouro americano ajudarão Fannie Mae e Freddie Mac
- Socorro a empresas hipotecárias dos EUA custará US$ 25 bilhões
- Governo dos EUA diz que serão necessários meses para recuperar economia
Livraria da Folha
- Livros da "The Economist" explicam termos essenciais de economia e negociação
- Jornalista explica em livro papel do sistema financeiro; leia capítulo
- Folha Explica o dólar e sua importância no mundo globalizado
Especial

