Dinheiro
23/07/2008 - 14h52

Inflação faz confiança do consumidor cair pelo segundo mês seguido

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

A escalada da inflação foi decisiva para que a confiança do consumidor brasileiro caísse pelo segundo mês consecutivo, alcançando o pior nível desde junho de 2006. A avaliação é do economista da FGV (Fundação Getulio Vargas), Aloisio Campelo, que ressaltou que essa percepção é influenciada pelo cenário que o consumidor está notando, e não exatamente pelo impacto que já está ocorrendo no seu dia-a-dia.

"A avaliação do consumidor está impregnada pela inflação mais alta que traz uma sensação de piora financeira. O consumidor está vendo que as coisas a sua volta estão mudando para pior, embora a situação da família ainda não esteja sendo impactada", afirmou Campelo.

O ICC (Índice de Confiança do Consumidor) da FGV caiu 4,9% entre junho e julho de 2008, ao passar de 107,2 para 101,9 pontos. Foi o menor nível desde junho de 2006 (quando estava em 101). Na comparação com julho de 2007, o ICC teve queda de 5,8%. Os dados constam da pesquisa Sondagem de Expectativas do Consumidor, divulgada nesta quarta-feira.

Em junho, a confiança do consumidor já havia caído 6,5%. Nos últimos dois meses, a queda acumulada é de 11%, a maior para o período desde o início da série, em 2005. Campelo explicou que a queda da confiança é generalizada, e pode ser notada em todas as faixas de renda.

Os consumidores consultados elevaram suas projeções para a inflação ao longo de 2008. Em junho, a expectativa era de alta de 7,1%. Em julho, essa estimativa subiu para 7,4%, o maior nível desde fevereiro de 2006.

"Se a inflação é o que mais incomoda o consumidor no momento, é possível que a confiança continue caindo em agosto", observou Campelo.

A expectativa em relação à taxa Selic de juros --a ser decidida hoje em reunião do Banco Central-- também piorou. Para os próximos seis meses, 65% dos entrevistados apostam em elevação dos juros, o maior nível da série. Campelo lembrou que, diante do cenário mais pessimista, o consumidor informou que pretende comprar menos bens duráveis daqui para frente.

 

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