UE nega abertura maior em setor agrícola e pede concessões em mercados industriais
da Efe
A União Européia (UE) não aumentará suas concessões agrícolas dentro das negociações da OMC e, pelo contrário, quer compensações de outros países, principalmente os emergentes, na abertura de mercados industriais, disse nesta quarta-feira a ministra do Comércio Exterior da França, Anne-Marie Idrac.
Idrac, que preside atualmente o Conselho de Ministros de Comércio da União Européia, disse que o bloco "já foi generoso demais" com sua oferta agrícola, dentro da Rodada Doha para a liberalização do comércio mundial, que cerca de 30 países da OMC (Organização Mundial do Comércio) negociam pelo terceiro dia em Genebra.
Ao contrário, a UE considera que, para um acordo, é necessário que outros sócios cedam e lhe compensem especialmente na abertura às exportações de produtos industriais, e em outros aspectos como o respeito às denominações de origem, segundo Idrac.
Idrac disse, após uma reunião dos responsáveis de Comércio e Agricultura do bloco, que, neste momento da discussão da OMC, há uma "atenção extrema" em relação às conversas sobre os mercados industriais.
Na Rodada Doha, a UE e os EUA querem aumentar o acesso aos mercados industriais, enquanto os países emergentes reivindicam que Washington e o bloco europeu cedam em agricultura, tanto nos subsídios quanto no corte de tarifas.
"Reafirmamos de maneira ofensiva e sem complexos nossa posição", disse Idrac.
Sobre os mais recentes movimentos na reunião de Genebra, concretamente, a oferta apresentada pelos EUA para reduzir seus subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões anuais, Idrac disse que se trata de um "passo" de última hora para se aproximar ao que a UE "faz há anos".
A oferta européia para esta negociação em agricultura consiste em permitir uma redução de tarifas agrícolas de 54% ou 60%, segundo os tipos de cálculo, em suprimir suas ajudas à exportação, entre outras cessões.
Sobre os interesses "ofensivos" da UE, a representante francesa ressaltou o interesse na abertura de mercados industriais e de serviços, mas este último setor não é prioritário na reunião desta semana.
Idrac especificou, entre os pontos nos quais a UE discorda com os países emergentes --como Brasil e Índia--, a chamada "cláusula anticoncentração", que evitaria que os emergentes pudessem salvar completamente um setor específico dos cortes de tarifas estipulados, o que os emergentes rejeitam.
A ministra francesa acrescentou que os chefes de negociação da UE, o comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, e a comissária de Agricultura européia, Mariann Fischer Böel, não poderão ir à frente do "mandato atual", ou seja, da oferta autorizada pelo bloco em agricultura, para a reunião da OMC.
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