Ministro diz ser contra Angra 3 e impõe condições para usina
LORENA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) anunciou nesta quarta-feira a concessão da licença prévia da usina de Angra 3 se dizendo contra empreendimentos nucleares. O ministro determinou a imposição de 60 condições para que a usina seja construída.
"Entendo que o governo bateu o martelo em relação a isso. Houve uma votação, assim como a Marina [Silva, ex-ministra do Meio Ambiente] votou contra, se eu fosse ministro à época eu também votaria", afirmou.
Minc comparou o governo a uma reunião de condomínio, onde nem sempre os moradores concordam com todos os assuntos.
"Me sinto um ministro forte, um ministro prestigiado, mas obviamente não sou dono do governo, como ninguém é", disse.
A principal condicionante é em relação à destinação do lixo nuclear. Depois de ter dito ontem que queria uma solução definitiva para a questão, Minc esclareceu que será necessário a construção de um abrigo em um local seguro, isolado e com profundidade. O projeto deverá ser apresentado pela Eletronuclear, responsável pela obra, antes do início da operação da usina, em 2014.
"É verdade que uma solução superdefinitiva para o lixo atômico não há. Entre essa e a nossa que é precária, que é ficar naquela piscina azul no lado do litoral, há uma grande diferença, há uma intermediária segura", ressaltou.
Segundo o ministro, o Ibama irá exigir que o lixo atômico produzido pelas usinas de Angra 1 e 2 também seja transferido para o aterro definitivo. Nessas usinas, o lixo é armazenado em tanques próximos do litoral.
"Não tem sentido ter um lugar seguro para Angra 3 e deixar o lixo de Angra 1 e 2 a 50 metros da praia", completou.
O ministro calcula que o custo total das exigências feitas pelo Ibama seja de pouco mais de R$ 100 milhões. Porém, somente com o saneamento básico das cidades de Angra dos Reis e Paraty (ambas no Rio de Janeiro), o documento prevê que sejam gastos R$ 50 milhões.
Prazo
O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) prevê iniciar as obras até setembro. Antes disso, porém, o Ibama terá que dar a licença de instalação, que depende da entrega do projeto básico e de outros documentos pela Eletronuclear.
A licença prevê que a documentação seja entregue apenas 120 dias depois da concessão da licença de operação, mas o ministro disse que o processo poderá ser iniciado a qualquer tempo, se a Eletronuclear pedir.
"O ministro cumpriu o seu papel, agora está nas mãos da Eletronuclear. Teoricamente, é possível [a licença sair até setembro]", disse MInc.
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