Dinheiro
23/07/2008 - 19h59

Indústria desaprova BC e defende política gradual para controlar inflação

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da Folha Online

Atualizada às 21h13

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) desaprovou a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) de elevar em 0,75 ponto percentual a taxa básica de juros, de 12,25% para 13% ao ano. A entidade defende a adoção de uma política monetária gradual para coordenar as expectativas em torno da inflação.

"Em um ambiente de incerteza inflacionária, a política monetária gradual é mais eficaz para coordenar as expectativas de elevação dos preços. A alteração dessa postura, com a intensificação do aperto monetário, resultará em maiores danos ao próprio processo de crescimento econômico", afirmou, em nota, o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto.

Entenda como a taxa básica de juros influencia a economia

Segundo ele, o Banco Central deveria "manter o ritmo e esperar pelas naturais defasagens dos impactos da política monetária restritiva". Em ponto percentual (pp), a decisão de elevar os juros em 0,75 pp, nesta quarta-feira, trata-se da maior alta promovida desde fevereiro de 2003 --à época, a taxa passou de 25,5% para 26,5%. Desde então, as elevações, quando ocorreram, foram de 0,25 pp ou 0,5 pp.

"A idéia de acelerar o movimento de redução do consumo das famílias, via aumento mais intenso dos juros, não irá gerar os benefícios desejados, uma vez que muito da inflação é originada globalmente, dado o aumento dos preços internacionais dos alimentos", avaliou.

A CNI voltou a defender a redução de gastos de governo. Para a entidade, a redução dos gastos governamentais é crucial para que as expectativas convirjam para a meta de inflação. "A maior consonância entre as políticas fiscal e monetária, com a elevação da meta do superávit primário, enseja a perspectiva de um ciclo monetário menos duradouro", avalia.

Em nota, a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) admitiu que o recente movimento de alta de preços e a deterioração das expectativas futuras "constituem o principal desafio para a estabilidade econômica", mas também defendeu a combinação de ações de política monetária e fiscal como política econômica.

"É preciso que o setor público dê sua contribuição com a contenção de seus gastos. Essa contribuição permitirá que o ônus do ajuste não fique exclusivamente com o setor privado, à custa de menor crescimento.

Vírus

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) chamou a inflação de "vírus" --que traz ameaças-- e disse que para combatê-lo não há um único tratamento, mas outros antídotos além da elevação da taxa de juros.

"O impulso inflacionário que a economia do Brasil vive neste momento é conseqüência de um vírus, importado, que adoece nações em todo o mundo. Não podemos, porém, ignorar o perigo de que se torne uma epidemia em nosso país", comparou.

Embora defenda o "firme combate à inflação", a Fiesp afirmou que segue comprometida com o crescimento do país. "Seria mais eficaz se a gestão das políticas monetária e fiscal fossem compartilhadas, e a sua coordenação exercida de maneira adequada. O que, infelizmente, não é realidade."

"Temos, desta forma, um quadro surreal de política econômica, cujo resultado é uma taxa de juros muito elevada, vitimando a sociedade com prejuízos imediatos. Um exemplo disso, está na sobrevalorização da taxa de câmbio que, cada vez mais, compromete a competitividade do produto brasileiro", avalia Paulo Skaf, presidente da Fiesp, em nota.

Comentários dos leitores
Maurício Do Carmo Ferreira (2) 23/08/2008 20h23
Maurício Do Carmo Ferreira (2) 23/08/2008 20h23
Sugiro à Folha adotar um comportamento neutro nas chamadas de reportagens. Cansei de ver torcida, opiniões, pensamentos e interesses particulares tendo chamadas conclusivas ou sugestivas de decisão ou fato consumado. Não vejo neutralidade no uso constante dos temos "inflação ACELERA" e "inflação desACELERA", nesse caso o sentido é reforçado; também não vejo neutralidade em exprimir opinião, mesmo de dois economistas, depois de um fato, como se houvesse lógica ou ligação intrínseca e direta entre os dois. Em "Inflação começa a cair, MAS BC DEVERÁ CONTINUAR A ELEVANDO OS JUROS" há um fato e logo a seguir uma opinião, que da forma como foi colocado parece um consenso, coisa que certamente não há. Cirilo Júnior nessa matéria ouve dois economistas e dispara que "especialistas apontam..." generalizando, sem a busca do contraditório. É necessário ter e deixar bem claro o que é informação e o que é opinião. 2 opiniões
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Bernardo Fonseca Mendes (25) 23/08/2008 10h20
Bernardo Fonseca Mendes (25) 23/08/2008 10h20
Você quer saber? Cansei.
Como diria a Copélia: "Prefiro não comentar!"
Eles não querem que o Brasil desenvolva, ou cresça. Eles querem conter o desenvolvimento, por isso que eles ficam lambendo o FMI, essas ONGs malditas, e as "queridas" dicas dos grandões. A Índia, a China, e a Rússia, não seguem eles e dá no que dá, estão crescendo muito mais que a gente... sendo a India e a China com inflação um pouco acima da nossa, sem aumento de juros.
Mais décadas virão e a América Latina continuara sendo o "continente do futuro", enquanto a Ásia que era muito mais pobre que nós, caminha para o desenvolvimento.
Não da mais, eu tenho que ir pra Austrália. Sinceramente.
13 opiniões
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Eu acho um absurso esse aumento dos juros,pois o consumidor sempre é quem sai penalizado.Os bancos a cada dia lucram mais e massacram bastante a população,pois nos dias de hoje sempre estamos a precisar desses agentes financeiros que cobram taxa extorsivas,deixando o correntista cada vez mais atônito.O Banco Central puxa a taxa selic pra cima e certamente os empresários vão fazer o acompanhamento no aumento dos preços das mercadorias.Veja se o que estou dizendo não faz sentido.Vamos pagar pra esses usurpadores cada vez mais se locupletarem do nosso patrimônio.Com tanto aumento nas taxas bancárias e nos juros pra empréstimo,acredito que os velhos tempo irão voltar, embora de forma bastante lenta.O nosso dinheiro ser guardado no fundo do baú.Ninguém aguenta mais tanto imposto.Gostaria que o Presidente da República olhasse melhor para o povo brasileiro,embora tenha melhorado algo,mas falta melhorar bastante.O salário do brasileiro ainda é pouco pra bancar o enriquecimento desses"aproveitadores financeiros".Chega de tanta mentira e falsidade.Está na hora de ser dado um basta em tudo isso.Avante povo brasileiro! sem opinião
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