Dinheiro
23/07/2008 - 20h23

BC manifesta temor com a inflação também para o 2º semestre, dizem analistas

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YGOR SALLES
FERNANDO ANTUNES
da Folha Online

A alta de 0,75 ponto na taxa Selic é sinal da forte preocupação do BC (Banco Central) com a inflação no país para o segundo semestre, que tradicionalmente tem maior ritmo de consumo. Segundo analistas ouvidos pela Folha Online, a decisão unânime dos integrantes do Copom (Comitê de Política Monetária) sinaliza que um novo aumento irá acontecer na próxima reunião.

Nesta quarta-feira, o Copom elevou a taxa básica de juros de 12,25% para 13% ao ano. Em ponto percentual (pp), trata-se da maior alta promovida desde fevereiro de 2003 --à época, a taxa passou de 25,5% para 26,5%. Desde então, as elevações, quando ocorreram, foram de 0,25 pp ou 0,5 pp.

"Existe uma preocupação muito grande com a inflação para o segundo semestre. Esse aumento [de 0,75 ponto] mostra que a preocupação é ainda maior do que já vinha ocorrendo", afirma Waldir Gomes, presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo.

A opinião é balizada pelo risco considerado cada vez maior de o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), referência da meta de inflação, superar o teto estipulado pelo governo federal para este ano. A meta é de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos percentuais para baixo ou para cima. Segundo o relatório Focus, o mercado já espera que a taxa oficial de inflação feche o ano em 6,53%.

O IGP (Índice Geral de Preços) tem no atacado seu maior peso --ou seja, de certa forma antecipa o IPCA, um índice mais focado no consumidor final. Segundo a segunda prévia de julho do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), divulgada na segunda-feira (21), o índice acumula alta de 8,53% no ano e, nos últimos 12 meses, já subiu 15,15%.

Entenda como a taxa básica de juros influencia a economia

Para Douglas Renato Pinheiro, professor de economia da Faculdades Integradas Rio Branco, o BC precisava fazer esse aumento para conter a inflação no curto prazo.

"Esse é um remédio que vai provocar efeitos colaterais mas, no momento, é o que o governo tem a disposição [para conter a inflação]", considera Pinheiro.

Desaceleração

A maioria dos analistas do mercado financeiro apostava em uma alta de 0,5 ponto na taxa Selic, mantendo a mesma seqüência que ocorrera nas últimas duas reuniões do Copom. O professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, argumenta que as pressões inflacionárias ainda são insuficientes justificar a elevação para 13% ao ano.

"O BC mostrou preocupação com o ritmo de consumo no segundo semestre, que tradicionalmente é mais alto, e com os reajustes do meio do ano. Porém, já há sinais de que eram pressões insuficientes para preocupar o mercado".

O economista-chefe da corretora Ágora, Álvaro Bandeira, é outro que considera a alta de 0,75 ponto desnecessária para controlar a inflação.

"O BC mudou sua visão para o risco de inflação, embora eu não veja necessidade para isso. Há alguns indicadores indexados, como são os casos dos preços administrados e dos aluguéis, além dos reajustes salariais, mas não será isso que dará força para a volta da inflação", disse.

Para Bandeira, a decisão unânime do Copom já sinaliza que o BC deverá aumentar novamente os juros.

"O BC dificilmente toma um rumo e depois volta atrás. Por isso acredito que na próxima reunião haverá uma nova alta de 0,75 ponto, que eliminaria de vez um risco de alta da inflação".

Comentários dos leitores
Maurício Do Carmo Ferreira (2) 23/08/2008 20h23
Maurício Do Carmo Ferreira (2) 23/08/2008 20h23
Sugiro à Folha adotar um comportamento neutro nas chamadas de reportagens. Cansei de ver torcida, opiniões, pensamentos e interesses particulares tendo chamadas conclusivas ou sugestivas de decisão ou fato consumado. Não vejo neutralidade no uso constante dos temos "inflação ACELERA" e "inflação desACELERA", nesse caso o sentido é reforçado; também não vejo neutralidade em exprimir opinião, mesmo de dois economistas, depois de um fato, como se houvesse lógica ou ligação intrínseca e direta entre os dois. Em "Inflação começa a cair, MAS BC DEVERÁ CONTINUAR A ELEVANDO OS JUROS" há um fato e logo a seguir uma opinião, que da forma como foi colocado parece um consenso, coisa que certamente não há. Cirilo Júnior nessa matéria ouve dois economistas e dispara que "especialistas apontam..." generalizando, sem a busca do contraditório. É necessário ter e deixar bem claro o que é informação e o que é opinião. 2 opiniões
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Bernardo Fonseca Mendes (25) 23/08/2008 10h20
Bernardo Fonseca Mendes (25) 23/08/2008 10h20
Você quer saber? Cansei.
Como diria a Copélia: "Prefiro não comentar!"
Eles não querem que o Brasil desenvolva, ou cresça. Eles querem conter o desenvolvimento, por isso que eles ficam lambendo o FMI, essas ONGs malditas, e as "queridas" dicas dos grandões. A Índia, a China, e a Rússia, não seguem eles e dá no que dá, estão crescendo muito mais que a gente... sendo a India e a China com inflação um pouco acima da nossa, sem aumento de juros.
Mais décadas virão e a América Latina continuara sendo o "continente do futuro", enquanto a Ásia que era muito mais pobre que nós, caminha para o desenvolvimento.
Não da mais, eu tenho que ir pra Austrália. Sinceramente.
13 opiniões
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Eu acho um absurso esse aumento dos juros,pois o consumidor sempre é quem sai penalizado.Os bancos a cada dia lucram mais e massacram bastante a população,pois nos dias de hoje sempre estamos a precisar desses agentes financeiros que cobram taxa extorsivas,deixando o correntista cada vez mais atônito.O Banco Central puxa a taxa selic pra cima e certamente os empresários vão fazer o acompanhamento no aumento dos preços das mercadorias.Veja se o que estou dizendo não faz sentido.Vamos pagar pra esses usurpadores cada vez mais se locupletarem do nosso patrimônio.Com tanto aumento nas taxas bancárias e nos juros pra empréstimo,acredito que os velhos tempo irão voltar, embora de forma bastante lenta.O nosso dinheiro ser guardado no fundo do baú.Ninguém aguenta mais tanto imposto.Gostaria que o Presidente da República olhasse melhor para o povo brasileiro,embora tenha melhorado algo,mas falta melhorar bastante.O salário do brasileiro ainda é pouco pra bancar o enriquecimento desses"aproveitadores financeiros".Chega de tanta mentira e falsidade.Está na hora de ser dado um basta em tudo isso.Avante povo brasileiro! sem opinião
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