BC manifesta temor com a inflação também para o 2º semestre, dizem analistas
YGOR SALLES
FERNANDO ANTUNES
da Folha Online
A alta de 0,75 ponto na taxa Selic é sinal da forte preocupação do BC (Banco Central) com a inflação no país para o segundo semestre, que tradicionalmente tem maior ritmo de consumo. Segundo analistas ouvidos pela Folha Online, a decisão unânime dos integrantes do Copom (Comitê de Política Monetária) sinaliza que um novo aumento irá acontecer na próxima reunião.
Nesta quarta-feira, o Copom elevou a taxa básica de juros de 12,25% para 13% ao ano. Em ponto percentual (pp), trata-se da maior alta promovida desde fevereiro de 2003 --à época, a taxa passou de 25,5% para 26,5%. Desde então, as elevações, quando ocorreram, foram de 0,25 pp ou 0,5 pp.
"Existe uma preocupação muito grande com a inflação para o segundo semestre. Esse aumento [de 0,75 ponto] mostra que a preocupação é ainda maior do que já vinha ocorrendo", afirma Waldir Gomes, presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo.
A opinião é balizada pelo risco considerado cada vez maior de o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), referência da meta de inflação, superar o teto estipulado pelo governo federal para este ano. A meta é de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos percentuais para baixo ou para cima. Segundo o relatório Focus, o mercado já espera que a taxa oficial de inflação feche o ano em 6,53%.
O IGP (Índice Geral de Preços) tem no atacado seu maior peso --ou seja, de certa forma antecipa o IPCA, um índice mais focado no consumidor final. Segundo a segunda prévia de julho do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), divulgada na segunda-feira (21), o índice acumula alta de 8,53% no ano e, nos últimos 12 meses, já subiu 15,15%.
Entenda como a taxa básica de juros influencia a economia
Para Douglas Renato Pinheiro, professor de economia da Faculdades Integradas Rio Branco, o BC precisava fazer esse aumento para conter a inflação no curto prazo.
"Esse é um remédio que vai provocar efeitos colaterais mas, no momento, é o que o governo tem a disposição [para conter a inflação]", considera Pinheiro.
Desaceleração
A maioria dos analistas do mercado financeiro apostava em uma alta de 0,5 ponto na taxa Selic, mantendo a mesma seqüência que ocorrera nas últimas duas reuniões do Copom. O professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, argumenta que as pressões inflacionárias ainda são insuficientes justificar a elevação para 13% ao ano.
"O BC mostrou preocupação com o ritmo de consumo no segundo semestre, que tradicionalmente é mais alto, e com os reajustes do meio do ano. Porém, já há sinais de que eram pressões insuficientes para preocupar o mercado".
O economista-chefe da corretora Ágora, Álvaro Bandeira, é outro que considera a alta de 0,75 ponto desnecessária para controlar a inflação.
"O BC mudou sua visão para o risco de inflação, embora eu não veja necessidade para isso. Há alguns indicadores indexados, como são os casos dos preços administrados e dos aluguéis, além dos reajustes salariais, mas não será isso que dará força para a volta da inflação", disse.
Para Bandeira, a decisão unânime do Copom já sinaliza que o BC deverá aumentar novamente os juros.
"O BC dificilmente toma um rumo e depois volta atrás. Por isso acredito que na próxima reunião haverá uma nova alta de 0,75 ponto, que eliminaria de vez um risco de alta da inflação".
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Como diria a Copélia: "Prefiro não comentar!"
Eles não querem que o Brasil desenvolva, ou cresça. Eles querem conter o desenvolvimento, por isso que eles ficam lambendo o FMI, essas ONGs malditas, e as "queridas" dicas dos grandões. A Índia, a China, e a Rússia, não seguem eles e dá no que dá, estão crescendo muito mais que a gente... sendo a India e a China com inflação um pouco acima da nossa, sem aumento de juros.
Mais décadas virão e a América Latina continuara sendo o "continente do futuro", enquanto a Ásia que era muito mais pobre que nós, caminha para o desenvolvimento.
Não da mais, eu tenho que ir pra Austrália. Sinceramente.
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