Mandelson alerta UE para risco de fracasso das negociações de Doha
da Efe, em Genebra
com Folha Online
O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, alertou nesta quinta-feira, durante um Conselho de Ministros da União Européia (UE), sobre "o risco de um fracasso" nas negociações que se realizam pelo quarto dia na OMC (Organização Mundial do Comércio) para salvar a Rodada Doha, para liberalizar o comércio mundial.
Mandelson disse aos ministros de Comércio e de Agricultura da UE, segundo fontes, que as próximas 24 horas "vão ser decisivas" para comprovar se é possível aproximar posições e se pode-se potenciar ou não um acordo que desbloqueie a rodada, iniciada em 2001, a fim de liberar as trocas mundiais.
Os responsáveis do comércio de Estados Unidos, União Européia, Índia, Brasil, Japão, Austrália e China tiveram discussões até quase 23h de quarta-feira (hora local) sob a coordenação do diretor da OMC, Pascal Lamy, para tentar chegar a um acordo.
Mandelson e a comissária européia de Agricultura, Mariann Fischer Boel, informaram aos 27 países do bloco durante o Conselho sobre o estado das negociações que mantêm 30 membros da OMC e que passam por momentos tensos, pela falta de ofertas.
Segundo Mandelson, o resultado final dependerá da evolução destas discussões nas próximas horas. Os comissários, chefes negociadores da UE, insistiram que é necessário uma maior "flexibilidade" por parte de outros membros --as nações emergentes, liderados por Brasil e Índia- em bens industriais.
Além disso, ficam em "suspenso" aspectos como o grau em que se reduzirão as tarifas às importações de mercados industriais e agrícolas e o percentual de "produtos sensíveis" que podem ficar protegidos do acesso ao mercado, segundo fontes.
A ministra de Comércio Exterior francesa, Anne-Marie Idrac, atual presidente do Conselho de Ministros da UE, destacou, em entrevista coletiva, que os 27 países "reafirmam a postura" e não cederão mais em agricultura até obter reciprocidade.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou por sua vez que não vai assinar o acordo relacionado à Rodada Doha do jeito que está. Ele pede maior abertura dos países emergentes para os mercados industriais.
Imposição
Ontem (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em Brasília, que os europeus e os norte-americanos flexibilizem suas posições nas negociações na Rodada Doha. Na opinião do presidente, os governos dos Estados Unidos e dos países que integram a União Européia querem impor suas necessidades sem considerar a existência dos países emergentes.
Lula disse que o ideal seria os europeus flexibilizarem as questões relativas aos produtos agrícolas, enquanto os norte-americanos deveriam reduzir seus subsídios no setor. Segundo ele, só isso permitirá buscar a paz, o fim do terrorismo e da discriminação de imigrantes estrangeiros.
Na terça-feira (22), a representante americana do Comércio, Susan Schwab, apresentou a proposta de reduzir os subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, elogiou a iniciativa, mas disse que ainda é insuficiente.
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