Com juros em alta, dívida pública interna cresce para R$ 1,247 tri em junho
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
Atualizada às 15h07
A dívida pública federal interna em títulos públicos voltou ao subir em junho, puxada pelo efeito dos juros mais altos nas contas do governo.
O valor chegou a R$ 1,247 trilhão no final do primeiro semestre, uma alta de 0,62% em relação a maio. O impacto dos juros na dívida foi de R$ 13,9 bilhões no mês.
Parte desse valor foi compensado pelo resgate líquido de R$ 6,2 bilhões realizado no mês. O resgate líquido é a diferença entre o valor da emissão de títulos (R$ 24,5 bilhões) e os resgates totais (R$ 30,7 bilhões).
Trata-se do segundo mês seguido de alta na dívida por causa dos juros.
Dívida externa
A dívida pública total em títulos, que inclui também a externa, passou de R$ 1,337 trilhão em maio para R$ 1,343 trilhão em junho, uma alta de 0,47%.
O PAF (Plano Anual de Financiamento) prevê que a dívida pública federal total irá fechar este ano entre R$ 1,480 trilhão e R$ 1,540 trilhão.
A dívida pública externa caiu 1,50% no mês, para R$ 96,1 bilhões (US$ 60,4 bilhões). A redução se deve à valorização do real em relação às moedas internacionais que compõem a dívida.
Custo
A alta da taxa Selic, que já subiu neste ano de 11,25% a.a. para 13% ao ano, também aumentou o custo da dívida. Nesse caso, houve impacto também da inflação, já que parte dos títulos do governo está indexada a índices de preços.
O custo médio da dívida interna aumentou de 14,20% ao ano em maio para 14,45% a.a. em junho, devido à maior variação da taxa Selic e do IGP-M.
No acumulado dos últimos 12 meses, o custo médio aumentou de 12,72% ao ano para 12,91% a.a., puxado pela maior variação dos índices de preços na comparação entre junho de 2007 e 2008.
Perfil
A parcela de títulos prefixados na dívida interna subiu de 34,30% em maio para 34,77% em junho, devido à emissão líquida de R$ 4,4 bilhões desses papéis. A meta do governo é chegar a, pelo menos, 35%.
A participação dos indexados à taxa Selic caiu de 35,42% em maio para 34,46% em junho. O governo pretende reduzir o percentual para, no máximo, 30% até o fim do ano.
A parcela dos títulos remunerados por índices de preços, por sua vez, subiu de 27,37% para 27,90%, dentro da meta do Tesouro Nacional.
O volume de títulos em poder público com vencimento em até 12 meses piorou e caiu de 28,30% para 27,41%.
O prazo médio da dívida interna subiu de 38,84 meses para 39,07 meses. No caso da dívida total, passou de 41,17 meses para 41,28 meses (a meta é alcançar entre 42 meses e 46 meses).
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