Dinheiro
24/07/2008 - 16h31

Alta dos juros vai afetar crescimento em 2009, diz Paulo Bernardo

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse nesta quinta-feira que a política de elevação dos juros que vem sendo adotada pelo BC (Banco Central) vai afetar o crescimento do país no ano que vem. Para Bernardo, os efeitos da alta dos juros não serão sentidos no curto prazo, e por isso, aposta que o Brasil terá incremento de 5% ou mais do PIB (Produto Interno Bruto) em 2008.

"É evidente que toda essa política vai afetar o crescimento do ano que vem. Nossa expectativa é que não afete muito, estamos mantendo incentivo aos investimentos, política industrial, agrícola. Não dá para arriscar agora, mas racionalmente analisando, acho que vamos ter crescimento menor", afirmou Bernardo, depois de participar de almoço promovido pela ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil), no Rio.

Traçando uma perspectiva para os resultados da economia no segundo trimestre deste ano, Bernardo disse ser possível que o PIB entre abril e junho, que ainda será divulgado, tenha superado os 5,8% de crescimento verificados no primeiro trimestre, na comparação com igual período no ano passado.

"No primeiro trimestre, crescemos a um ritmo de 5,8%. No segundo trimestre, tudo indica que foi até melhor, podemos ter crescido na faixa dos 6%. É possível que tenha diminuição do ritmo para o segundo semestre, mas é bom lembrar que as medidas do BC não dão resultado no dia seguinte, costumam demorar um período. Nossa aposta é que vamos ter crescimento de 5%, e até passe disso em 2008", destacou.

Paulo Bernardo estimou ainda que a inflação não vai superar o teto da meta de 4,5% traçada pelo BC, que admite 2 p.p. (pontos percentuais) além disso. Ele lembrou que existe a tendência que a inflação arrefeça um pouco daqui para frente.

"Todas as indicações mostram que a inflação vai ficar na casa dos 6%, talvez um pouco mais. Não acho que vá passar da margem de tolerância", acrescentou.

O ministro voltou a comparar o BC a um zagueiro sempre pronto para afastar o perigo. Dessa vez, chegou a citar o ex-jogador Fontana, reserva da seleção na Copa de 70, conhecido por não ter um estilo muito técnico e considerado por muitos um zagueiro violento.

"A botinada não é uma coisa desejada no jogo, e muito menos a todo o momento. Mas numa hora em que se está em perigo de levar gol, e estamos disputando a taça, não dá para simplesmente aplaudir quando o atacante te dribla. Se não puder tomar a bola dele, faz uma falta, isso é lícito. Acho que o Banco Central resolveu abrir a caixa de ferramentas e foi para cima. Acho que, no momento seguinte, há espaço para se fazer jogadas mais habilidosas", completou.

 

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