Sexta-feira saberemos se acordo na OMC é possível, diz Amorim
da Efe e France Presse, em Genebra
com Folha Online
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou hoje que na sexta-feira se saberá se é possível ou não um acordo na Rodada Doha no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio). A reunião para tentar destravar a Rodada, que negocia a liberalização do comércio mundial, começou nesta semana em Genebra.
"Prosseguiremos amanhã com as discussões e acho que amanhã, (...) então, saberemos se será ou não possível. Talvez não cheguemos a uma conclusão, mas devemos chegar a um acordo", declarou Amorim ao final do quarto dia rodada da reunião ministeria.
Mais cedo, o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, alertou durante um Conselho de Ministros da União Européia (UE) sobre "o risco de um fracasso" nas negociações. Mandelson disse aos ministros de Comércio e de Agricultura da UE, segundo fontes, que as próximas 24 horas "vão ser decisivas" para comprovar se é possível aproximar posições.
Desde ontem, os responsáveis do comércio de Estados Unidos, União Européia, Índia, Brasil, Japão, Austrália e China tiveram discussões até quase 23h sob a coordenação do diretor da OMC, Pascal Lamy, para tentar chegar a um acordo.
Segundo Mandelson, o resultado final dependerá da evolução destas discussões nas próximas horas. Os comissários, chefes negociadores da UE, insistiram que é necessário uma maior "flexibilidade" por parte de outros membros --as nações emergentes, liderados por Brasil e Índia- em bens industriais.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou por sua vez que não vai assinar o acordo relacionado à Rodada Doha do jeito que está. Ele pede maior abertura dos países emergentes para os mercados industriais.
Imposição
Ontem (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em Brasília, que os europeus e os norte-americanos flexibilizem suas posições nas negociações na Rodada Doha. Na opinião do presidente, os governos dos Estados Unidos e dos países que integram a União Européia querem impor suas necessidades sem considerar a existência dos países emergentes.
Lula disse que o ideal seria os europeus flexibilizarem as questões relativas aos produtos agrícolas, enquanto os norte-americanos deveriam reduzir seus subsídios no setor. Segundo ele, só isso permitirá buscar a paz, o fim do terrorismo e da discriminação de imigrantes estrangeiros.
Na terça-feira (22), a representante americana do Comércio, Susan Schwab, apresentou a proposta de reduzir os subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, elogiou a iniciativa, mas disse que ainda é insuficiente.
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