Dinheiro
25/07/2008 - 09h09

Diplomatas se queixam da inflexibilidade da Índia na Rodada Doha

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da France Presse
da Folha Online

A Índia se mostra inflexível e, inclusive, endureceu sua posição nas cruciais negociações de abertura de mercados mundiais, de acordo com fontes diplomáticas que participam nas negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio) em Genebra.

Segundo as fontes, o ministro do Comércio e Indústria indiano, Kamal Nath, se mostra muito reivindicativo e opõe uma férrea resistência à abertura dos mercados agrícolas e industriais do país asiático.

Nova Déli quer, entre outras coisas, critérios mais flexíveis na aplicação de um mecanismo especial de salvaguardas, que permita a um país ordenar um forte aumento de tarifas para proteger um setor ameaçado por um súbito incremento de importações ou uma baixa repentina de preços em seu mercado interno.

Também defende a flexibilidade na determinação de "produtos especiais" que podem ser protegidos.

Muitas fontes ligadas às negociações ministeriais de Genebra garantem que o acordo na OMC hoje "depende principalmente da Índia". Uma fonte ouvida pela agência de notícias France Presse disse que a Índia está criando pequenos problemas e acrescenta que os negociadores estão preocupados em saber se a ÍNdia tem mesmo uma verdadeira vontade política de negociar.

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, advertiu nesta sexta-feira sobre os riscos de um fracasso no quinto dia de negociações em Genebra sobre a liberalização do comércio mundial, informou seu porta-voz. "As próximas horas são cruciais. Tudo oscila entre o êxito e o fracasso", afirmou.

"Estão sendo registradas certas convergências, mas o ritmo é dolorosamente lento. Temos que mudar para um ritmo maior para aproveitar o pouco tempo que nos resta", acrescentou.

Nesta quinta-feira (24) o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que hoje se saberá se é possível ou não um acordo na Rodada Doha. "Prosseguiremos amanhã com as discussões e acho que amanhã, (...) então, saberemos se será ou não possível. Talvez não cheguemos a uma conclusão, mas devemos chegar a um acordo", afirmou.

O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, havia alertado ontem para "o risco de um fracasso" nas negociações. Os comissários, chefes negociadores da UE, insistiram que é necessário uma maior flexibilidade por parte de outros membros --as nações emergentes, liderados por Brasil e Índia- em bens industriais.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou por sua vez que não vai assinar o acordo relacionado à Rodada Doha do jeito que está. Ele pede maior abertura dos países emergentes para os mercados industriais.

Na terça-feira (22), a representante americana do Comércio, Susan Schwab, apresentou a proposta de reduzir os subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões. Amorim elogiou a iniciativa, mas disse que ainda é insuficiente.

 

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