EUA acusam grupos de emergentes de ameaçar acordo na Rodada Doha
da France Presse, em Genebra
A representante do Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, lamentou neste domingo (27) que "um punhado de países emergentes comprometam o delicado equilíbrio" que nos últimos dias permitiu que a Rodada Doha avançasse na (Organização Mundial do Comércio).
"Na sexta-feira [25] havia espaço para um desenlace bem sucedido; não era perfeito, mas era delicadamente equilibrado e contava com um forte apoio", afirmou Schwab. "Infelizmente, um punhado de mercados emergentes decidiram fazer novas reivindicações. E sabem o que acontece? Em um equilíbrio tão delicado, quando se puxa um fio, tudo se desfaz. Acho que a perspectiva é preocupante."
As negociações na OMC se encontravam até então polarizadas entre países ricos e emergentes, mas agora esbarram, em sua etapa final, com um sério problema entre os países em desenvolvimento por causa de um mecanismo de proteção reclamado pela Índia e rejeitado por exportadores como Paraguai e Uruguai.
O chamado Mecanismo de Salvaguarda Especial (MSE) permitiria aos países em desenvolvimento aumentar as tarifas em até 15 pontos percentuais no caso de um aumento de 40% das importações de determinado produto ou de um súbito aumento dos preços em seus mercados internos.
A Índia, que promove o MSE nas negociações da OMC iniciadas na segunda-feira passada e prorrogadas até a próxima quarta, tem o apoio do G33, um grupo que reclama a flexibilidade no processo de abertura de seus mercados agrícolas.
O G33 também conta com a China e outros emergentes, como a Indonésia e a Turquia, além de países africanos e muitos latino-americanos, como o Peru, Bolívia, Venezuela, Cuba e todos os centro-americanos, com exceção da Costa Rica.
O campo adverso é liderado pelo Uruguai e Paraguai, apoiados por outros exportadores agrícolas como Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Chile.
Paraguai e Uruguai advertiram, no início da reunião ministerial da OMC, que o MSE "pode se transformar num obstáculo insuperável para o êxito" da Rodada Doha. "Restam muitos problemas por resolver, mas o MSE é um dos maiores", afirmou à agência de notícias France Presse o porta-voz da OMC, Keith Rockwell.
O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, apresentou na sexta propostas que, pela primeira vez, apontam para uma saída para as difíceis negociações lançadas em 2001.
O Brasil, um dos principais países do bloco dos emergentes, indicou que estava pronto a aceitar o acordo sugerido, mas o otimismo gerado pelas propostas de Lamy enfrentou seus primeiros obstáculos na resistência da Índia, Argentina e África do Sul de abrir seus mercados industriais.
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