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Dinheiro
29/07/2008 - 08h02

Convergência e fusão entre empresas ditam regras no mercado futuro

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LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

A chamada convergência digital, que permite uma mesma empresa oferecer vários serviços de telecomunicações, é considerada irreversível. Mesmo com as várias restrições legais, as principais empresas de telefonia já oferecem pacotes completos, com telefone fixo e móvel, TV por assinatura e internet.

Atualmente, as empresas de telefonia fixa são proibidas, por exemplo, de oferecer TV a cabo na região em que já atuam. Apesar disso, muitas "driblaram" a legislação e conseguem prestar o serviço. A Telefônica, por exemplo, comprou parte da TVA, mas em São Paulo, não pode ter o controle da empresa. Já a Oi comprou a operadora de TV a cabo Way TV em um leilão em 2006. Como a tele foi a única a fazer oferta pela Way TV, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) entendeu que isso era permitido pela Lei do Cabo.

Divulgação
Celular Omnia, da Samsung, lançado para concorrer com o iPhone 3G, da Apple
Celular Omnia, da Samsung, lançado para concorrer com o iPhone 3G, da Apple

A Brasil Telecom, por sua vez, passou a oferecer o chamado "vídeo on demand", em que o cliente assina o serviço e tem um cardápio de filmes, documentários e séries na tela, podendo assistir o que escolher a qualquer momento.

"No passado, nós pensávamos que telefonia era uma coisa, internet outra, banda larga outra. Hoje o que nós pensamos é informação sendo transmitida. Cada um de nós com o celular vai ter a capacidade de receber uma grande quantidade de informação. Ninguém sobrevive mais hoje só no mercado de telefones", afirma o conselheiro do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Luiz Delorme Prado.

Para o presidente da Acel (Associação das Nacional das Operadoras Celulares), Ercio Zilli, tentar parar a convergência é o mesmo que "segurar uma avalanche". Ele destaca ainda a chegada do 3G (a chamada terceira geração de celulares), que permite o acesso à internet banda larga pelo celular ou o uso do aparelho como modem em laptops, por exemplo.

"O 3G facilita o acesso das pessoas à internet e vai popularizar a universalização da banda larga", diz.

Fusões

Outra tendência apontada por especialistas para o futuro das telecomunicações no Brasil é a fusão de empresas, a exemplo da compra da Brasil Telecom pela Oi.

Reprodução
Loja da Oi; a empresa comprou a Brasil Telecom em negócio de até R$ 12 bi
Loja da Oi; a empresa comprou a Brasil Telecom em negócio de até R$ 12 bi

Segundo Prado, a concentração de empresas está ocorrendo no mundo inteiro. Para ele, as pequenas poderão sobreviver em nichos, oferecendo, por exemplo, serviços de internet em pequenas cidades ou atuando na produção de conteúdo para televisão.

"Esse negócio não é para empresas pequenas", afirma em um tom mais duro o presidente da Abrafix (Associação Brasileira das Concessionárias do Serviço Telefônico Fixo), José Pauletti. "Para poder baratear o serviço, é preciso ter grandes grupos empresariais, é a tendência do mundo, vai ter dois três grandes grupos e todos oferecendo serviços conjuntos. O cliente quer preço e qualidade. Se tiver uma empresa só oferecendo tudo, melhor."

BrOi

Apesar de criar uma empresa mais forte para competir com os grandes grupos estrangeiros, a fusão da Oi e da Brasil Telecom --que ainda não foi liberada-- não deve trazer impactos para o mercado imediatamente. Isso porque as duas empresas já atuam em áreas diferentes e não eram concorrentes entre si.

"Não vai ter impacto nenhum. A estrutura não se sobrepõe, vai continuar da mesma forma. Só vai possibilitar ter um grupo mais forte para concorrer com outros grupos que já são fortes" afirma Zilli.

À época do anúncio da fusão, o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, disse que a nova empresa resultante da fusão planeja investir R$ 30 bilhões nos próximos cinco anos, com o objetivo de aumentar a atuação no exterior e elevar o número de clientes para 100 milhões. Atualmente, as duas empresas somadas têm 45 milhões de clientes no Brasil.

 

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