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Dinheiro
29/07/2008 - 13h28

Negociações de Doha entram em colapso com desacordo entre EUA, Índia e China

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da Folha Online

As negociações para avançar na Rodada Doha, de liberalização do comércio mundial, retomadas no último dia 21, entraram em colapso nesta terça-feira, depois que EUA, Índia e China não conseguiram chegar a um acordo sobre tarifas de importação para o setor agrícola, segundo fontes ouvidas opela agência de notícias Associated Press (AP).

Segundo a AP, os representantes do G7 (Estados Unidos, União Européia, Japão, Índia, China e Austrália), o grupo dos principais envolvidos nas negociações da rodada, se retiraram após uma reunião sem chegarem a um acordo.

A representante comercial dos EUA, Susan Schwab, disse após a reunião que os negociadores "estavam muito perto na sexta-feira" (25), quando o diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy, apresentou um pacote de propostas para tentar destravar a rodada, mas que então pararam de negociar.

Questionada se a rodada estava acabada, ela disse "eu não falei isso", e se retirou.

Entenda o que é a Rodada Doha

"É um salto no escuro", disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, após a reunião de hoje. "Não se pode calcular todas as probabilidades até o último caso. Se fizermos isso, não acabaremos nunca. [A rodada] pode levar dois anos, três anos. Provavelmente ficará para uma próxima geração."

As fontes ouvidas pela AP informaram que a interrupção nas negociações deve ser anunciada logo mais para um grupo maior de países. Disseram também que Lamy informou que os ministros não conseguiram chegar a um denominador comum após nove dias de reuniões e trabalhos.

Algumas fontes disseram que essa tentativa de retomada foi uma última chance de fazer avançar a Rodada Doha, acrescentando que as eleições americanas, em novembro deste ano, devem impor uma dificuldade maior para fazê-la prosseguir nos próximos dois anos.

Sem um acordo final, a União Européia (UE) não terá de oferecer maior abertura para seus mercados agrícolas para a produção dos países emergentes --estes, por sua vez, não terão de abrir seus mercados de produtos industriais e de serviços para as empresas dos países ricos.

O debate sobre a abertura de mercados agrícolas e as reduções de tarifas e subsídios ganharam visibilidades nos últimos meses devido à crise dos alimentos dos últimos meses em todo o mundo. Os países mais pobres alegam que os subsídios nos países ricos distorcem os preços no mercado global e impedem o desenvolvimento de sua produção.

EUA, China e Índia já vinha desde o domingo, pelo menos, trocando acusações de inflexibilidade para fazer oas negociações avançarem. Entre os pontos de maior discórdia está o setor do algodão, tanto pelos subsídios que os EUA concedem a seus produtores quanto pela rejeição da China e Índia a reduzir as tarifas que protegem essa plantação. Outro ponto de atrito é o mecanismo de salvaguarda, criado para evitar as importações em massa de produtos agrícolas.

O ministro indiano do Comércio, Kamal Nath, não pareceu particularmente pressionado ao chegar à sede da OMC. "Esta noite tive ótimos sonhos. Estou otimista", comentou. "Os Estados Unidos tentam favorecer seus interesses comerciais, eu tento proteger a vida e a segurança dos agricultores [indianos]."

O embaixador da China perante a OMC, Sun Zhenyu, disse por sua vez que o país quer seguir negociando ainda e que os EUA "não mudaram sua posição". Ontem, o diplomata americano David Shark disse que a Índia e a China colocam em perigo o sucesso da rodada, por terem rejeitado a primeira proposta de acordo feita por Pascal Lamy. "Infelizmente, uma grande economia emergente, a Índia, rejeitou imediatamente o projeto (de Lamy), após o qual outra grande economia emergente, a China, se afastou dele. Suas ações colocaram em perigo toda a rodada", disse.

Susan Schwab já havia tocado nesse ponto, embora sem citar nomes. "Um punhado de países emergentes comprometam o delicado equilíbrio (...) Na sexta-feira [25] havia espaço para um desenlace bem sucedido; não era perfeito, mas era delicadamente equilibrado e contava com um forte apoio", afirmou. "Infelizmente, um punhado de mercados emergentes decidiram fazer novas reivindicações."

O governo da China rejeitou os argumentos dos EUA em defesa da redução de subsídios ao algodão deve estar vinculada à queda de tarifas de países em desenvolvimento, segundo a agência oficial de notícias Xinhua. "Recentemente, ouvimos certos argumentos absurdos de que a diminuição pelos EUA de subsídios ao algodão que distorcem o comércio dependerá da redução ou inclusive eliminação de tarifas sobre o algodão aplicadas por países em desenvolvimento, incluindo a China", disse o chefe de assuntos da OMC do Ministério do Comércio da China, Zhang Xiangchen.

Ele acrescentou que os EUA não podem discutir com os países em desenvolvimento sobre as tarifas do algodão até que elimine seus subsídios, como pedem os países africanos.

Com agências internacionais

 

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