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Dinheiro
29/07/2008 - 17h13

Indústria prevê aumento de preço no terceiro trimestre, diz FGV

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FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online

A tendência de aumento nos custos com matéria-prima e a elevação recorde da capacidade instalada fizeram com os industriais projetassem aumento de preços nos próximos três meses.

Segundo a pesquisa Sondagem Conjuntural da Indústria de transformação da FGV (Fundação Getulio Vargas), divulgada nesta terça-feira, 45% das empresas consultadas afirmaram que pensam reajustar preço, 4% projetam reduzir e 51% pretendem manter os preços em julho, agosto e setembro.

A quantidade de empresas que avaliam aumentar os preços de seus produtos em julho é o maior desde janeiro de 2003, no mês de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o período eleitoral, no ano anterior, existiam incertezas quanto ao rumo da economia com um governo de esquerda.

O coordenador técnico de sondagens da indústria do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV, Jorge Braga, explicou que as empresas deverão repassar os aumentos de custos previstos para o mercado interno e externo.

De acordo com o levantamento, 48% dos empresários afirmaram que a tendência para os próximos três meses é que os custos com matéria-prima no mercado interno fiquem mais caro. No mercado externo, apesar da desvalorização do dólar frente ao real, 37% dos entrevistados esperam que os custos aumentem.

A pesquisa verificou que 49% e 58% dos entrevistados não prevêem aumento nos custos no mercado interno e externo, respectivamente.

Capacidade instalada

Segundo a FGV, o nível de utilização da capacidade instalada em julho, considerando o ajuste sazonal, está em 85,8%, o maior da série histórica da pesquisa, o que contribui para a perspectiva de avanço nos preços. Em julho de 2007, o índice estava em 84,9%.

A capacidade instalada reflete qual quantidade de produtos que uma indústria é capaz de fabricar com as máquinas e unidades que tem. Quanto maior o uso, menor a possibilidade de a indústria atender a um crescimento de demanda sem provocar aumento nos preços.

Segundo Braga, o levantamento divulgado hoje ainda não reflete o último aumento de juros básico promovido na semana passada pelo Banco Central, atingindo 13% ao ano.

"Porque as empresas responderam os dados antes do dia 23 [quando o BC subiu em 0,75 ponto a Selic]", informou. Mesmo assim, os empresários já haviam sido influenciados por dois aumentos da Selic, que foram feitos em abril e junho, disse Braga.

O levantamento da FGV constatou que a grande maioria dos empresários da indústria não coloca os juros como empecilho para aumentar a produção. Apenas 1% das 1.042 empresas respondeu que a taxa de juros limita a expansão, enquanto 62% afirmaram que poderiam expandir sem dificuldades.

O ICI (Índice de Confiança da Indústria) da FGV teve queda de 0,7% em julho ficando em 120,8 pontos (sem ajuste sazonal), contra 121,6 no mês anterior. Segundo a FGV, o dado geral mostra que "a indústria mantém-se aquecida, mas com um ritmo de atividade um pouco menos intenso que o registrado no segundo semestre de 2007".

Na comparação sem ajuste sazonal, o ISA (Índice da Situação Atual) passou de 125,8 pontos em junho para 123,7 neste mês, enquanto o IE (Índice de Expectativas) teve ligeira elevação, indo de 117,4 em junho para 117,9 neste mês.

 

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