Produção industrial de São Paulo sobe 3,1% em junho, diz Fiesp
FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online
Atualizada às 13h50
O INA, indicador do nível de atividade da indústria paulista, teve alta de 3,1% em junho contra maio, segundo levantamento da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), já considerado o ajuste sazonal. Sem ajuste sazonal, houve alta de 1,9%.
Na comparação com junho do ano passado, o indicador apresenta um incremento de 8,2%. No acumulado do ano até o mês passado, o INA mostrou alta de 8,8% sobre o mesmo período em 2007.
Segundo o diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos) da Fiesp, Paulo Francini, o resultado de junho foi considerado como uma "surpresa positiva".
"É um resultado positivo que mostra o bom desempenho da indústria de São Paulo, que está acima da média do país", disse Francini.
No levantamento anterior, que considerou os dados de maio, o INA apresentou baixa de 2,7% em relação a abril. Na ocasião da divulgação, a Fiesp entendia que haveria uma acomodação do nível de atividade nos meses seguintes. Essa expectativa não se confirmou.
Nos últimos 12 meses, segundo a Fiesp, a produção industrial registrou avanço de 8,2%.
A Fiesp prevê que o INA estará entre 6% e 6,5% no fechamento de 2008, contra 6,1% verificado no ano passado. Para Francini, os efeitos da atual crise econômica deverão ser sentidos pela indústria somente em 2009.
Capacidade
O Nuci (Nível de Utilização da Capacidade Instalada, indicador que mede o uso de máquinas e equipamentos das indústrias) ficou em 83,7% em junho, ante igual porcentagem em maio deste ano e 82,8% em junho do ano passado.
O maior índice de utilização da capacidade foi apresentado pelo setor de coque, refino de petróleo, combustível nuclear e produção de álcool com 98%, seguido por metalurgia básica, com 95,3%. Entre as que possuem menor capacidade utilizada, o destaque é do setor de material eletrônico e equipamentos de comunicação, com 70,2%.
"O Nuci está sadio, com bom nível de utilização da capacidade instalada", considerou Francini.
O estudo da Fiesp indica ainda que o total de salários pagos (já descontada a inflação) teve alta de 0,8% em junho sobre maio. Sobre junho do ano passado, o incremento foi de 6,8%. Na comparação do acumulado deste ano com o mesmo período de 2007, houve avanço de 4,3%.
Já as horas trabalhadas na produção cresceram 1,7% no confronto com maio e tiveram ganho de 6,2% frente a junho de 2007. No acumulado do ano, a alta é de 5,8%.
Sensor
A entidade divulgou também nesta quarta-feira o Sensor Fiesp, indicador de previsões dos industriais paulistas. Para julho o índice ficou em 55,3 pontos, contra 54,9 pontos em junho e 4,9 pontos acima do registrado no mesmo mês de 2007. Uma pontuação acima de 50 indica otimismo, enquanto que abaixo aponta deterioração das previsões dos entrevistados.
Na divisão por questões, o Sensor para Mercado e Investimentos avançaram em julho, enquanto Vendas, Estoques e Emprego recuaram.
Inflação
Francini afirmou que os recentes aumentos na taxa Selic feitos pelo Banco Central, para combater a inflação, não tem efeito imediato na indústria. "A existência da alta taxa de spread faz com que exista um amortecimento no efeito da taxa de juros". Porém, os efeitos dos juros no valor do dólar têm efeito "mais eficiente e mais danoso" que a Selic, disse o diretor.
"A maneira de combater a inflação mais eficiente que o BC tem é a taxa de cambio. Mas todos eles [inflação, juros e cambio] estão concorrendo para a redução da atividade da indústria", afirmou.
O diretor da Fiesp não acredita que os empresários da indústria estariam mais suscetíveis a elevar os preços no terceiro trimestre deste ano, conforme revelou uma pesquisa divulgada ontem pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
"A questão de administração de preços é uma relação da empresa com o mercado. Todo mundo sempre está precisando de uma recuperação da margem [de lucro]".
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