Dinheiro
30/07/2008 - 12h41

Alta da inflação faz pagamento de juros da dívida bater recorde

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

O pagamento de juros de dívida pública bateu recorde no primeiro semestre e chegou a R$ 88 bilhões --é o maior valor da série histórica do Banco Central, iniciada em 1991. O BC divulgou hoje que a economia da União, Estados e municípios para pagar os juros da dívida pública bateu (o superávit primário) janeiro e junho ficou em R$ 86,12 bilhões, o equivalente a 6,19% do PIB (Produto Interno Bruto) do período.

Proporcionalmente, a maior influência sobre os juros da dívida foi provocada pelo aumento da inflação. Foram R$ 7,7 bilhões a mais pagos no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2007, somente nos títulos indexados ao IPCA (índice oficial de inflação, medido pelo IBGE).

Isso representa mais da metade do que o governo pagou a mais na correção da dívida.

A variação na taxa Selic também teve impacto no pagamento de juros, porém menor, de R$ 4 bilhões na comparação entre semestres.

Essa diferença ocorre por conta do aumento da inflação acumulada nesses períodos pelo IPCA, que subiu de 2,08% para 3,64%. Além disso, aumentou a participação dos títulos indexados ao índice na dívida, de 17,2% para 22,2% na média do semestre.

Em relação à Selic, o efeito foi menor porque a queda da taxa básica no primeiro semestre do ano passado teve um impacto positivo que superou os aumentos realizados neste ano. A remuneração dos títulos indexados à Selic no primeiro semestre de 2007 foi de 6,08%, percentual que caiu para 5,43% no mesmo período deste ano.

"Você tem uma carga maior de dívida indexada a preços e tem um IPCA mais elevado neste ano", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. "E aquela desaceleração [da Selic] ainda tem efeito."

Swap cambial

O pagamento dos juros da dívida nos últimos 12 meses também bateu recorde e chegou a R$ 168,7 bilhões.

O aumento da inflação também pesou mais que a variação da taxa Selic. A inflação acumulada em 12 meses passou de 3,69% para 6,06%, enquanto a Selic média acumulada caiu de 13,21% para 11,24%.

Nesse caso, pesou também a perda com as operações de swap cambial, nas quais o BC paga juros e ganha variação do dólar. A perda acumulada em 12 meses subiu de R$ 6,4 bilhões para R$ 8,9 bilhões.

 

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