Dinheiro
30/07/2008 - 13h41

Rio Tinto foca em minério e bauxita no Brasil e não descarta aquisições

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

Depois de se desfazer de minas de ouro e níquel, a mineradora anglo-australiana Rio Tinto vai focar a expansão de seus negócios no Brasil investindo na prospecção de minério de ferro e bauxita, sem descartar aquisições para crescer no país.

O diretor financeiro e de recursos humanos da empresa, Aloisio do Pinho Oliveira disse nesta quarta-feira que há boas perspectivas, em relação ao minério, em Minas Gerais e na Bahia. Quanto à bauxita, há estudos avançados no Pará.

"Estamos prestando atenção às oportunidades de mercado. Já tivemos oportunidades de fazer aquisições, mas o negócio não evoluiu. E temos pesquisas quanto a novas minas, estamos fazendo estudos de exploração", afirmou.

A Rio Tinto anunciou investimentos de US$ 2,1 bilhões para expandir a mina de ferro de Corumbá (MS). A maior parte dos recursos serão destinados à logística para escoar a produção, que subirá das atuais 2 milhões de toneladas/ano para 12,8 milhões de toneladas/ano em 2010.

A empresa vai fazer estudo de viabilidade para uma segunda fase da expansão, que elevaria a capacidade de produção para até 23,2 milhões de toneladas/ano. A análise deverá estar pronta até a metade do ano que vem.

O licenciamento ambiental prévio da expansão da mina deverá ser concedido pelo Ibama até o fim de agosto, estima a companhia. A documentação foi apresentada no final de 2007, e segundo Pinho, o processo corre dentro dos prazos previstos. A licença de instalação do projeto é esperada para até abril de 2009.

"A logística é o principal desafio desse projeto. Tínhamos a opção de investir no escoamento por ferrovia, mas isso dependeria de investimentos de terceiros. Optamos pela hidrovia, que além de não depender de ninguém, nos dá custo eficiente e confiabilidade na entrega da produção aos nossos clientes", comentou.

Cerca de US$ 1,6 bilhão será utilizados em projetos longe da mina. No Brasil, será construído o porto de Albuquerque, próximo à mina em Corumbá, que demandará investimentos de US$ 250 milhões; outros US$ 320 milhões serão reservados para a construção do porto de La Agraciada, no Uruguai; e US$ 1 bilhão serão investidos na construção de 15 empurradores e 276 barcaças que farão o transporte da mina até o Uruguai, pela hidrovia Paraguai-Paraná.

Os investimentos na mina e na correia de 29 quilômetros que transportará o minério da mina até o porto somarão US$ 450 milhões.

A Rio Tinto escoa a atual produção pelo porto de San Nicolas, na Argentina, que não deixará de ser utilizado. O novo porto no Uruguai terá capacidade para enviar a outros mercados até 10 milhões de toneladas/ano.

O executivo destacou que a idéia da Rio Tinto é fazer a encomenda dos 15 empurradores em estaleiros brasileiros. O negócio deve chegar a US$ 300 milhões. Em relação às barcaças, estão sendo avaliados estaleiros de todo o mundo.

Pinho admitiu que a alta do preço do minério de ferro no mercado foi um dos fatores que permitiram a decisão pela expansão. "Com preços de cinco anos atrás, não conseguiríamos fazer esse projeto", resumiu, listando também melhores custos e a viabilidade técnica da logística.

A Rio Tinto opera no Brasil desde 1971 e adquiriu a mina de Corumbá em 1991. Em dezembro de 2003, vendeu sua mina de ouro, e no ano seguinte, sua operação de níquel. Na América do Sul, além de Corumbá, tem produção de boratos e potássio na Argentina, e de cobre no Chile e na Argentina.

"A empresa está deixando o negócio de ouro no mundo, e nossa mina de níquel estava se exaurindo, e preferimos dar prioridade a outras plantas desse tipo ao redor do mundo", disse Pinho.

 

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