Demanda interna acelera crescimento da indústria em julho, diz pesquisa
colaboração para a Folha Online
O aumento da demanda interna foi o responsável pelo crescimento da produção e de novos pedidos na indústria nacional em julho. Segundo a pesquisa PMI (Índice Gerentes de Compras), desenvolvida pela Markit Economics e divulgada nesta sexta-feira pelo Banco Real, o desempenho do setor industrial registrou índice de 53,5 pontos, resultado acima dos 52,1 de junho, que havia sido o mais baixo em 21 meses.
"Entretanto, a demanda de exportação continuou a enfraquecer, com a entrada de novos negócios vindos do exterior caindo pelo sexto mês seguido. A maioria dos entrevistados atribuiu essa contração a mais um fortalecimento do real em relação ao dólar americano", informa o relatório do levantamento feito com executivos de 450 empresas.
A leitura do PMI abaixo de 50 indica queda na economia industrial, acima de 50, expansão, e equivalente a 50, ausência de mudanças. Quanto maior for a diferença do valor de 50, maior será a taxa de mudança assinalada pelo índice.
O índice de novos pedidos atingiu 53,4 em julho contra 51,4 no mês anterior. "O índice tem se mantido acima da marca crítica de 50,0, indicativa de ausência de mudanças por dois anos". No sentido contrário, a valorização do real em relação ao dólar americano provocou nova queda nos pedidos de exportação, que ficou em 47,8 no mês passado (ante 48,8 em junho).
Para atender a demanda interna, o índice de contratação na indústria ficou em 54,5 em julho, contra 52,2 no mês anterior. "Os níveis de contratação no setor industrial brasileiro cresceram fortemente em julho, dando continuidade à tendência expansionista em curso desde setembro de 2006".
Na conta dos prejuízos da inflação, o índice de preço de bens finais, sazonalmente ajustado, registrou 58,9 (acima dos 58,4 de junho). "A inflação de preços de produtos acelerou-se em julho com os fabricantes revisando seus preços em resposta aos aumentos acentuados nos custos de insumos. Embora algumas empresas tenham também aumentado seus preços para aproveitar a robusta demanda do mercado", diz o relatório.
Insumos
O índice de preço de insumos atingiu o recorde de alta nas séries, com valor de 72,9 ante 67,5 em junho. "Cerca de 50% dos respondentes relataram um aumento nos preços de insumos, com a maioria culpando o custo mais alto de energia, metais, plásticos e alimentos por esse aumento".
Os estoques de insumos reduziram no mês passado em comparação com junho devido "uma combinação de atrasos nas entregas dos fornecedores e um aumento na produção". Segundo a pesquisa, o índice de estoque ficou em 49,6 em julho contra 50,9 no mês anterior. Essa redução é justifica também pelo aumento da procura por insumos (53,3 ante 51,9) e o resultado negativo do prazo de entrega pelos fornecedores (46,2).
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