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Dinheiro
04/08/2008 - 09h27

Ações ligadas a commodities apontam mais instabilidade

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GITÂNIO FORTES
da Folha de S.Paulo

Aplicar em ações de empresas ligadas ao petróleo vai exigir um bocado de sangue-frio até o final do ano. A avaliação é de Ricardo José de Almeida, professor de gestão de negócios da FIA (Fundação Instituto de Administração). "Para quem quer investir em Bolsas sem solavancos, é melhor não entrar em Petrobras", diz Almeida.

A instabilidade deve prosseguir pela incerteza em torno do preço do petróleo. "Há gente imaginando o barril a US$ 200; outros prevêem US$ 80." O mês começou com a cotação na faixa de US$ 120.

No caso do Brasil, "onde petróleo significa Petrobras", Almeida aponta um problema adicional. "Muito do preço dos papéis da empresa se explica pela expectativa de sucesso nas explorações do pré-sal." Como a produção comercial dessas áreas começa apenas na próxima década, o caminho até lá será de muita instabilidade.

Em mineração, setor em que a Vale é protagonista, a pressão vem justamente da incerteza de como a empresa vai usar os US$ 11,5 bilhões obtidos com a oferta global de ações finalizada no mês passado.

Na área de siderurgia, o professor da FIA observa um movimento de acomodação em relação à valorização expressiva das ações, que alcançou o auge no ano passado. O setor também está exposto ao desaquecimento econômico nos EUA e ao aperto monetário no Brasil, que influi na procura por automóveis e imóveis. Há o receio de que montadoras e construção civil demandem menos aço.

Para Fábio Silveira, sócio da RC Consultores, o mercado mostra ter percebido que o processo de alta do preço das commodities está próximo do esgotamento, depois de "um 2007 explosivo em preços", como define Reginaldo Takara, analista da Standard & Poor's.

Na Bolsa

A LME (Bolsa de Metais de Londres) comprova esse movimento pela redução de alguns preços. O recuo do níquel chamou a atenção. O ano começou com a tonelada em US$ 25,8 mil. Terminou julho a US$ 18,2 mil --baixa de 29,4%. A tonelada de zinco caiu 18,7%, de US$ 2.290 para US$ 1.863. A de chumbo caiu de US$ 2.532 para US$ 2.241 -menos 11,5%.

Em contrapartida, outros produtos, com estoques menores, se valorizaram. A tonelada do alumínio, que começou o ano em US$ 2.351, fechou julho a US$ 2.907, com alta de 23,4%. A de cobre subiu 20,6% --de US$ 6.677 para US$ 8.055. A de estanho avançou 36,5% --de US$ 16,4 mil para US$ 22,4 mil.

De olho na evolução do ritmo de crescimento da China, o mercado busca se antecipar ao encolhimento previsto para o comércio mundial --sobretudo pela desaceleração da economia dos Estados Unidos.

O fato de haver preços em alta e outros em baixa não quer dizer que as cotações das commodities metálicas vão desabar. No geral, apontam para uma estabilização ou recuo suave, afirma Silveira.
Segundo Takara, essas variações dos preços das commodities também refletem a fuga de capital da especulação financeira.

Para o médio prazo, avalia, os fundamentos permanecem favoráveis, mas certos produtos terão o desempenho marcado pela instabilidade das cotações.

Além da incerteza provocada pela desaceleração econômica em países desenvolvidos, existe a preocupação com a inflação em emergentes. As autoridades monetárias tendem a mais apertos monetários --com o recurso da elevação de juros-- para conter a demanda e a alta de preços.

 

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