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Dinheiro
04/08/2008 - 12h37

Para combater inflação, Mantega diz que superávit primário pode subir

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FERNANDO ANTUNES
Colaboração para a Folha Online

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse hoje que não descarta um aumento da meta de superávit primário (economia feita para pagar os juros da dívida) como forma de combater a inflação. "Se necessário for, nós usaremos a política fiscal", disse ele, durante participação em seminário na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

Mantega não citou números para uma possível elevação do superávit. Hoje, a meta de superávit primário para o ano é de 3,8% do PIB, mais uma economia de R$ 14,2 bilhões (0,5% do PIB) para fazer uma poupança para momentos de crise. Nos últimos 12 meses, o governo fez um superávit de R$ 116 bilhões (4,27% do PIB).

O ministro afirmou que considera "menos danoso" para o crescimento da economia aumentar o superávit primário do que aumentar a taxa básica de juros --na última reunião, o Banco Central elevou a Selic para 13%. "A elevação da taxa de juros é necessária, mas o nível me preocupa", afirmou ele.

Mantega, no entanto, admitiu que a taxa de juros poderia ter subido mais rápido no passado recente para cair mais rapidamente. "Talvez devêssemos ter feito uma correção [da taxa de juros] mais alta", afirmou ele.

Mais cedo, Mantega afirmou que o país é o único que ainda está dentro dos limites das suas respectivas metas de inflação.

Pelas contas de Mantega, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, indicador usado para a meta de inflação brasileira) deve fechar o ano em 6,5%, em cima do topo da meta --4,5%, com margem de tolerância para cima ou para baixo. Já o mercado financeiro, segundo a pesquisa semanal Focus do Banco Central, aposta que o indicador avança 6,53% e estoura o teto da meta.

Mantega baseia a sua crença no fato de que o aumento de preço das commodities agrícolas já chegou ao topo. "Mesmo se não recuassem, só o fato de não crescerem deixaria de alimentar o processo inflacionário", explicou. "Já começamos a descer a montanha", comparou, explicando que as taxas irão baixar.

 

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