Indústria registra melhor resultado semestral desde 2003, diz CNI
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
A indústria brasileira voltou a crescer no mês de junho, depois da desaceleração registrada em maio, e fechou o semestre com um faturamento recorde. A pesquisa mensal do setor realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostra ainda que o faturamento das empresas cresceu 8,4% no primeiro semestre. Trata-se do melhor resultado da série histórica da confederação, iniciada em 2003.
O faturamento do setor registrou crescimento em junho em todas as comparações. Cresceu 10,5% em relação a junho do ano passado e 3,8% na comparação com maio (dado sujeito à influência sazonal). No dado mensal dessazonalizado, a indústria cresceu 2%, depois de registrar queda de 0,2% em maio.
Emprego
O emprego na indústria cresceu 0,5% em relação a maio e 4% na comparação anual. No semestre, houve avanço de 4,4%, o melhor resultado semestral desde 2005.
As horas trabalhadas na indústria tiveram também o melhor resultado para um primeiro semestre da série, de 5,9%. Na comparação com maio, o aumento de 1,5% foi o melhor resultado desde setembro de 2003.
Capacidade instalada
O uso da capacidade da indústria voltou a crescer em junho e terminou o semestre no nível recorde de 83,3%, ante 82,5% em maio.
Na média dos últimos três meses, no entanto, foi mantido o patamar de 83%, o mesmo registrado há nove meses.
"O uso da capacidade ainda está alto para padrões históricos, mas está no mesmo nível que estava nos últimos trimestre", disse o economista da CNI Paulo Mol.
Ele afirmou que isso não traz riscos para a inflação, já que o aumento de preço hoje é causado por problemas na demanda e não na oferta no mercado nacional. Além disso, vê o indicador como um sinal de que os empresários devem começar a investir mais.
"O empresário só vai investir se a utilização da capacidade estiver alta", afirmou.
Juros mais altos
A CNI manteve a expectativa positiva para o final do ano, mas disse que é preciso esperar mais alguns meses para verificar como o aumento dos juros promovido pelo Banco Central neste ano irá afetar a economia.
"A dinâmica da atividade industrial em junho foi bastante favorável. É preciso aguardar os próximos meses para saber se a atividade continua nesse ritmo", afirmou o economista da CNI.
Ele reconheceu, no entanto, que o efeito dos juros está sendo diferente do que foi verificado durante o último ciclo de aperto promovido pelo BC, entre 2003 e 2004.
"O ciclo do aumento de juros em 2008 já está diferente. Em 2004, quando o BC começou a aumentar os juros houve uma queda no ritmo de investimento. Isso não está sendo visto agora", afirmou.
Apesar dos números positivos divulgados pela CNI no primeiro semestre, o economista não quis afirmar se será possível garantir um novo recorde para todo o ano.
"É bem possível que no segundo semestre você tenha um crescimento menor. Muito possivelmente o segundo semestre não vai ser tão positivo como foi o primeiro", disse o economista.
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