Dinheiro
05/08/2008 - 09h41

Biocombustível não compete com alimento, diz representante da FAO no Brasil

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da Ansa

O plantio de matérias-primas para a fabricação de biocombustíveis, como a mamona, o girassol e a soja, não ameaça a produção de alimentos em propriedades de agricultura familiar, segundo José Graziano da Silva, representante regional para a América Latina e o Caribe da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

Em entrevista concedida à Ansa, Graziano, que foi coordenador do programa Fome Zero, afirmou que "o mais importante para os trabalhadores da agricultura familiar não é o que se planta, mas a remuneração obtida com as vendas dos seus produtos".

"Esses produtores precisam de mercado, pois somente assim poderão superar a condição de pobreza e melhorar o nível de sua renda", afirmou. Neste sentido, o representante da FAO destacou como uma importante ação o Programa de Aquisição de Alimentos.

Por meio dele, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) compra o excedente gerado nas propriedades de agricultura familiar, o que proporciona ao trabalhador rural ganhos maiores e colabora para a formação de estoques de alimentos cujos preços estão em alta no mercado internacional, como arroz e feijão.

Na semana passada, durante a cerimônia de posse da diretoria da Petrobras Biocombustível, subsidiária da estatal petrolífera criada para produzir combustíveis de matriz orgânica, o presidente Lula anunciou que 58% de toda a matéria-prima já adquirida para colocar em funcionamento uma das unidades da empresa, na Bahia, tem origem na agricultura familiar.

Para Graziano, contudo, não há risco de que a área usada para plantar comida passe a abrigar cultivos de matérias para o biocombustível. "O modelo do Brasil é bastante especial, pois existe a conciliação de culturas. Hoje, um mesmo produtor consegue produzir feijão e mamona em sua propriedade", disse ele.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário, a agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos consumidos no Brasil.

Comentários dos leitores
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Muito alarido, pelo diretor da FAO. ele está fazendo o seu papel. Agora... previsão para 2050 (daqui 40 anos). Será que esse diretor ou os especialistas se lembram do que seria necessário fazer, em 1968 em relação à fome no mundo? Em 40 anos, quais países ainda serão emergentes? É realmente problema de vontade política e de se ensinar e dar condições de "pescar" e não de dar o peixe já frito a esse segmento faminto da sociedade. Soluções estão à mostra a todo momento e para todo mundo. Uma delas é a transferência de tecnologia. Com tanta boa vontade que notamos em nossos líderes mundiais, não seria difícil um consórcio onde se ensinaria e proveria de boa infra-estrutura, de forma eficiente e eficaz, o cultivo, a produção, consumo de alimentos, erradicando a fome no mundo. Medidas nesses moldes não são para 2040, 2050 e sim pra já. A FAO deveria atuar em idéias semelhantes, em reunir nações realmente empenhadas em ajudar o povo faminto desse planeta e não em fazer considerações do que esse ou aquele País deve fazer. sem opinião
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O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
"Países emergentes precisam dobrar produção de alimentos até 2050..."
Aqui no Brasil, podem esquecer.
Sem chance...
Ao menos se continuarem os atos de organizações tipo MST, que invadem, destroem e queimam lavouras, com nossas autoridades assistindo á tudo, imersas no mais profundo e nojento silêncio constrangedor, não vai ter produção suficiente não.
Estamos deixando de ser uma nação do agronegócio, e nos tornando uma republiqueta especializada no "agroterror"...
4 opiniões
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Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Os paises ricos são uma piada mesmo. Enquanto eles destroem a Terra, querem que os paises emergentes alimentem aqueles que os ricos destroem. Devem os emergentes ajudar os pobres sim... mas os ricos deveriam e vão morrer de fome um dia. sem opinião
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